Dá para ser muito feliz consumindo menos

109. Por que os orgânicos são tão caros?

8 fatores explicam o preço mais alto dos alimentos sem agrotóxicos. E nada explica o conformismo diante do alto custo ambiental, social e de saúde pública que vem de brinde com a agricultura baseada em aditivos químicos.

Ninguém, em sã consciência, prefere comida com agrotóxico, mas os orgânicos no Brasil ainda são bem mais caros, o que deixa muita gente inconformada. Outro dia assisti a uma ótima palestra do agrônomo e pesquisador Wilson Tivelli, da Estação Experimental São Roque (ligada à Secretaria Estadual da Agricultura), que explicou brilhantemente essa questão. Aí vai um resumo dos argumentos de Tivelli misturados com o que aprendi sobre o assunto nos últimos tempos.

1 – Eles demoram mais para amadurecer
A agricultura orgânica consegue nível semelhante de produção por metro quadrado à da lavoura que usa adubos artificiais e agrotóxicos. No entanto, os alimentos se desenvolvem mais devagar. A cenoura orgânica, por exemplo, é colhida por volta de 116 dias após a semeadura enquanto a versão com aditivos químicos fica pronta em 97 dias. Ou seja, a safra ocupa a terra por mais tempo. E tempo é dinheiro.

Por outro lado, essa desvantagem comercial torna os orgânicos mais nutritivos e saborosos, pois vão extraindo da terra nutrientes mais variados e em maior quantidade. Enquanto os vegetais cultivados à base de compostos químicos sintéticos recebem basicamente apenas três macronutrientes -nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) - os adubos orgânicos oferecem toda uma tabela periódica em sua lista de ingredientes.

2 – Certificação
Por incrível que pareça, não há fiscalização obrigatória nas lavouras que usam agrotóxicos. Os abusos, ultrafrequentes, são descobertos pela ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária) apenas ao recolher amostras de alimentos em supermercados. Para sentir o drama, é só clicar nesse link: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,pimentao-e-o-campeao-do-agrotoxico-mostra-estudo-da-anvisa,355203,0.htm.

Já o produto orgânico precisa ser certificado. Ou seja, o produtor deve arcar com a auditoria anual de sua propriedade, o que custa em média cerca de R$ 3 mil. Existem outras formas de certificação por meio de cooperativas que, embora sem custo fixo, demandam bastante tempo e dedicação, desviando o agricultor de sua função principal.

3 – Período de conversão
Um agricultor convencional que resolve virar orgânico passará por um tempo de vacas magras, pois sua terra está “viciada” em produtos químicos e não é fácil recompor a fertilidade utilizando recursos naturais. Durante essa fase, não há nenhum tipo de financiamento governamental que permita ao produtor sobreviver até conseguir safras melhores. No campo, essa talvez seja a principal barreira à adoção do sistema orgânico. Ou seja, existe muita gente querendo sair do esquema convencional, mas não consegue por razões financeiras de curto prazo.

4 – Falta de crédito
No Brasil não existem linhas de finaciamento voltadas para a agroecologia. Parece mentira, mas para conseguir liberação de dinheiro no banco, o produtor precisa mostrar a nota fiscal comprovando que adquiriu agrotóxicos. Veja com seus próprios olhos o depoimento deles no documentário “O Veneno está na Mesa”, de Silvio Tendler, e aproveite para ampliar seus conhecimentos sobre o tema. O filme está totalmente livre para cópia e veiculação: http://www.youtube.com/watch?v=8RVAgD44AGg.

5 - Barreira de isolamento
De acordo com a legislação atual, quem usa substâncias potencialmente tóxicas na lavoura não precisa se preocupar com os resíduos que deixa na atmosfera, na água e no solo, além de estar isento de responsabilidade caso seja comprovada a contaminação de um trabalhador. Para completar, nada o impede de borrifar agrotóxicos até o limite de sua propriedade, mesmo sabendo que a pulverização invadirá o território alheio.

Já o produtor orgânico precisa manter uma faixa de vegetação robusta e alta para isolar seu cultivo da química dos vizinhos. Ou seja, uma parte de sua propriedade não pode ser utilizada para plantar alimentos, o que reduz a produtividade.

6 - Menor escala de produção
O agronegócio convencional privilegia a monocultura. Assim, terrenos imensos são ocupados por uma única espécie (algo muito atraente para pragas e doenças, pois, quando o invasor encontra esse farto banquete, se dissemina em altíssima velocidade). No sistema orgânico dá-se preferência ao plantio conjunto de várias espécies vegetais e ao consórcio com a criação animal. Desse modo, é mais rica a produção interna de adubo (feito com esterco e sobras vegetais) e mais eficiente o controle das espécies indesejáveis.

No entanto, uma propriedade com vários cultivos emprega maior número de trabalhadores e há menor possibilidade de mecanização. Outro complicador do ponto de vista comercial é que, ao ter quantidades pequenas de diferentes produtos para oferecer ao mercado, o produtor orgânico perde poder de barganha.  

Um detalhe, porém, não deve ser esquecido: do ponto de vista socioambiental, essas aparentes desvantagens são muito positivas.

7 – Ganância dos supermercados
Grandes varejistas investem bastante em pesquisas sobre hábitos de consumo e logo descobriram que as pessoas com maior poder aquisitivo e nível de instrução são as que mais consomem orgânicos. Encontraram aí uma excelente oportunidade de inflar preços e foi o que fizeram. Uma pesquisa do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) realizada em 2010 flagrou uma diferença de preços de até 463% num mesmo produto orgânico (http://www.idec.org.br/em-acao/revista/142/materia/quer-pagar-quanto). Para quem busca alimentos sem veneno por preço em conta, as feiras de orgânicos são a melhor alternativa (procure aqui: http://www.slowfoodbrasil.com/textos/noticias-slow-food/504-voce-conhece-as-feiras-organicas-da-sua-cidade), seguidas pelos esquemas delivery (para saber mais sobre essa opção: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/98-diga-adeus-aos-agrotxicos/.).

8 – Falta de assistência técnica e pesquisa
Antigamente existiam no país as redes de assistência rural financiadas pelo governo. Aos poucos, o poder público foi abandonando essa importante função e deixou o espaço livre para os fabricantes e revendedores de adubos sintéticos e agrotóxicos. Assim, quem dá orientações técnicas aos agricultores hoje em dia são os vendedores dessas fórmulas. Claro que eles não têm interesse nenhum em ajudar quem não consome seus produtos. Além disso, nas faculdades de agronomia predomina o ensino da agricultura baseada em insumos químicos, gerando carência de profissionais que sabem cultivar a terra sem apelar para eles. Para complicar de vez a situação da agroecologia, entidades como a FAPESP, o CNPQ e a CAPES não costumam liberar bolsas de estudos para quem se propõe a estudar agricultura orgânica e familiar.

Com tudo isso, dá para ver que os alimentos convencionais, aparentemente mais baratos, na verdade saem muito caro. Em seu preço não estão computados:

  • O custo social representado pelo abandono do campo e inchaço das periferias urbanas;
  • O custo em termos de saúde pública que tem origem no enorme número de pessoas intoxicadas pelos agrotóxicos, seja de forma aguda ou crônica (câncer, doenças neurológicas e endócrinas entre outras);
  • O custo ambiental devido à contaminação química do ar, da água e do solo, à perda da fertilidade do solo e da biodiversidade.

Do dia para a noite não haverá solução mágica para levar orgânicos baratos à mesa de todos os brasileiros. Mas já existem esquemas alternativos e mais acessíveis para adquiri-los (veja acima o exemplo do delivery e das feiras orgânicas) e outros virão por aí.

A gente pode e deve brigar para virar esse jogo. Temos o direito de exigir que o dinheiro público seja investido num modelo agrícola mais justo e sustentável, em vez de virar subsídio para os agrotóxicos, que, aliás, têm isenção de impostos!

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108. Domingo no Parque

A turma dos Hortelões Urbanos se reuniu no centro de São Paulo em plena manhã dominical. E minha esperança no poder da amizade para transformar o mundo num lugar melhor cresceu mil pontos.

Finalmente aconteceu o Encontro dos Hortelões Urbanos/Pic-Nic de Trocas de Sementes e Mudas. Mesmo debaixo de garoa, no domingo 22/4 umas 60 pessoas apareceram no Parque da Luz, o mais antigo de São Paulo, ali do lado da histórica estação de trem. Gente de todo tipo, de todas as idades, das mais diferentes trajetórias, mas com algo em comum: a ideia de deixar esse mundo mais verde, de semear árvores, frutas, flores, hortaliças.

Tivemos uma mesa de pic-nic farta com os quitutes que cada um preparou. Na troca de espécies vegetais, apareceram desde singelos chuchus brotando e mudas de roseiras anãs até exóticas orquídeas, raízes de cúrcuma, bombas de sementes, frutas e flores que eu nunca tinha visto. Muito bom poder abraçar várias pessoas que conhecia só pelo Facebook e continuar ao vivo as conversas agroecológicas que acontecem todo dia no grupo Hortelões Urbanos. Melhor ainda a integração com os freqüentadores habituais dos pic-nics que a Juliana Gatti e a Daniela Cuevas vêm organizando há tempos. Que maravilha estar ali com a Tatiana Achcar, parceira querida!

Fizemos muito intercâmbio de plantas e técnicas agrícolas como há milênios nossos ancestrais já faziam. Mas nada seria possível sem as ferramentas da comunicação eletrônica. Que privilégio unir heranças arcaicas com tecnologias supermodernas, temperando a reunião com o mais puro calor humano.

Olha só o vídeo que a Nadia Cozzi fez para registrar o evento: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=CuN7QWisg_c#!

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107. Como encontrei minha tribo

Fazer parte dos Hortelões Urbanos (grupo do Facebook de pessoas que plantam comida na cidade) mudou minha vida. Estou superfeliz porque no domingo que vem (22/4) vamos fazer um pic-nic no Parque da Luz para trocar sementes, mudas e ideias. O encontro é aberto, gratuito e você está convidado!

Em fevereiro do ano passado, minha amiga Fernanda Salles colocou um recadinho no Facebook: “Agricultura urbana, aqui vou eu!”. Era o convite para uma oficina da Hubescola (www.hubescola.com.br) em que a jornalista Tatiana Achcar contaria suas andanças pelo mundo atrás de hortas em cidades.

Eu já plantava comida no quintal de casa há quase três anos, totalmente sozinha. Fui ao curso, encontrei minha tribo e fiquei amiga da Tati, que no dia seguinte criou um grupo de discussão por e-mail chamado Hortelões Urbanos, para que os participantes pudessem manter contato e trocar ideias sobre suas microlavouras. Conheci na mesma noite a Susana Prizendt, com quem embarquei em aventuras agroecológicas que desenbocaram na Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida (www.contraosagrotoxicos.org).

Meses depois, Tati me convidou para fazermos juntas uma oficina na Hubescola seguinte, marcada para julho de 2011. Juntando minha vivência doméstica às experiências internacionais da parceira, o resultado foi um encontro delicioso em que cerca de 40 pessoas mergulharam em sonhos e projetos para deixar a cidade mais verde e nutritiva. Decidimos então criar no Facebook o grupo Hortelões Urbanos (https://www.facebook.com/groups/170958626306460/).

Cada um foi convidando seus amigos verdes e hoje já são mais de 600 hortelões conectados e a movimentação diária na página é grande . Por ali rolam informações sobre cultivo, fotos orgulhosas de nossos canteiros, dicas para produzir adubo em casa, combater pragas, usar na cozinha as colheitas e muito mais. Qualquer pessoa pode participar (basta ir na página e solicitar a entrada) e qualquer participante pode trazer adesões.

No próximo domingo finalmente vamos nos encontrar ao vivo. O Encontro dos Hortelões Urbanos/7º Pic-Nic de Trocas de Mudas e Sementes acontecerá no Parque da Luz, das 10h às 14h (para quem não sabe, fica no centro de São Paulo, do lado da Estação Luz do metrô e CPTM). Teremos uma mesa para o lanche comunitário e outra para a troca de sementes e mudas. Na organização, Tati Achcar, Juliana Gatti, Daniela Cuevas e eu. Ju e Dani, que são veteranas nessa atividade (realizaram os seis pic-nics anteriores no parque) acolheram a ideia de agregar os Hortelões com o maior carinho. Para saber mais: http://the-hub.com.br/hubloja/produto.php?id=42

Na noite de 25/4 (quarta-feira), Tati e eu vamos fazer mais uma oficina: No campo, no quintal e no prato: revolução dos alimentos para um mundo melhor. A atividade também faz parte da programação da Hubescola de Outono e pretende gerar reflexões sobre a origem da nossa comida e inspirar mudanças de atitude para melhorar a saúde pessoal e planetária a partir de escolhas alimentares. Informações e inscrições: http://the-hub.com.br/hubloja/produto.php?id=53

A Hubescola de Outono já começou, com muitas oportunidades para expandir horizontes na vida e no trabalho. Dá uma olhada na programação completa: http://www.the-hub.com.br/hubescola/programacao

PS – Hortelão é um homem que cuida de uma horta. Eu posso ser chamada de hortelã e adoro! Aliás, tenho bastante hortelã plantada aqui e vivo fazendo chá e suco com ela.

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106. Eu fui na Rio 92

Ainda guardo a credencial de jornalista que há 20 anos usei no maior evento sobre desenvolvimento sustentável já realizado. Agum dia vou mostrar aos netos.

Como editora da Revista Capricho, em 1992 escrevia para adolescentes sobre namoro, estudo, amizade, menstruação, dramas existenciais e… ecologia! Quando soube que iria acontecer a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, vulga Eco 92 (na época era assim que todo mundo no Brasil chamava o evento), pedi credenciamento e convenci a chefa Mônica Figueiredo a me deixar ir. Maravilhosa, além de me esquecer lá 15 dias, ela ainda deu o sinal verde para a Ciça Lessa embarcar comigo. Considerando que o foco da revista era outro e a expedição das duas jornalistas rendeu apenas três páginas de cobertura e mais algumas pautas para edições futuras, pode-se ter uma ideia de como a verba das redações tinha mais folga e havia mais tempo para investir em reportagem décadas atrás. Mas isso é outro assunto…

Bom, chegando ao Rio nos juntamos à tribo multitudo que ali se reuniu querendo construir um futuro melhor para todas as formas de vida. Pessoas de todas as cores e idades provenientes de cada canto da Terra. Na verdade, o que aconteceu em junho de 1992 não foi um só evento, mas dois bem distintos.

As delegações oficiais se instalaram no Riocentro, em Jacarepaguá. Do Earth Summit (apelido internacional do encontro) saiu a Declaração do Rio, a Convenção das Mudanças Climáticas, a Convenção da Biodiversidade e a Agenda 21. Todos documentos de altíssima importância que os governos vêem enrolando para não cumprir há exatas duas décadas. Em 13 de junho de 1992, 114 Chefes de Estado almoçaram juntos e posaram para fotografias. Até então, nunca tantos reis, ditadores, primeiros ministros e presidentes tinham se encontrado e não sei se a marca foi batida posteriormente. O Centro de Convenções carioca se tornou território da ONU, com clima solene e cardumes de engravatados. O gabinete do então Presidente Collor transferiu-se de Brasília para um cercadinho de paredes de fórmica, com a tradicional fila de políticos na porta. Eu e a Ciça achamos aquele lugar chato, muito chato.

Já no Aterro do Flamengo nos sentimos em casa. Era ali o Fórum Global (precursor do Fórum Social), uma enorme feira/quermesse com barraquinhas das mais variadas ONGs e grandes tendas brancas onde aconteciam simpósios. Figurino comum: camiseta + bermuda + mochila + sandália de couro ou bota de caminhada + garrafinha d’água retornável. Passávamos nossos dias andando para lá e para cá, vendo as coisas mais loucas e mais maravilhosas. Lembro de um casal canadense fazendo o almoço num fogão de energia solar. De arquitetos japoneses apresentando a maquete da “cidade ecológica” composta por apenas um altíssimo prédio onde 1 milhão de pessoas viveriam e trabalhariamem plena Floresta Amazônica, sem nunca precisar descer ao térreo. De jogar com estudantes de várias nações uma espécie de War da Sustentabilidade cujo mapa ocupava uns 100m2. De ir à praia do Flamengo esperar a chegada de um veleiro com jovens de várias partes do mundo. De conversar um tempão com uma menina da África que me presenteou com o “sino da paz”, hoje perdido em algum canto da minha casa.

Para mim o momento mais emocionante foi encontrar Jacques Cousteau. No espaço do Fórum carros eram proibidos, mas o velho mergulhador já não conseguia caminhar muito. Chegou no único automóvel a passar por ali, bem devagarinho. A ecomultidão ia abrindo passagem e aplaudindo. Nós, que estávamos dentro da tenda esperando a palestra, percebíamos a aproximação pelo barulho das palmas. Quando Jacques entrou, todos se levantaram e aplaudiram por mais um bom tempo. Emocionadíssimo, ele não conseguiu dizer quase nada. Lembro perfeitamente do início do discurso, num inglês vagaroso e carregado de erres franceses: “My frrrriends frrrom alll overrr the worrrld, continuem fazendo o que vocês estão fazendo. Eu não sou um bom ecologista porque viajo muito de avião e os aviões consomem muito combustível…”

Como meu pai é pescador e apaixonado pelo mar, os documentários de Cousteau talvez tenham sido o meu primeiro contato com a ecologia. Jacques, que morreu 5 anos e 1 mês depois da Rio 92, naquele momento estava passando o bastão. E eu me senti parte da longa linhagem de seres humanos envolvidos com a causa da defesa da vida.

Ter participado da Rio 92 não me transformou em ambientalista. Ao contrário, só fui parar lá porque já estava muito ligada no tema. Mas valeu muito. Numa época sem Facebook, era praticamente impossível encontrar pessoas de outras partes do mundo com as mesmas afinidades. Voltei com mais vontade ainda de descobrir maneiras de viver bem causando menos impacto no meio ambiente. Uma transição que ainda está acontecendo e continuará enquanto eu estiver aqui nesse planeta.

Estou acompanhando as notícias sobre a preparação da Rio + 20 e da Cúpula dos Povos (http://cupuladospovos.org.br/; http://kakawera.blogspot.com.br/2012/04/cupula-dos-povos.html?spref=fb), que acontecerá justamente no Aterro do Flamengo. Há inclusive um comitê paulista ativíssimo (http://riomais20sp.wordpress.com/). Já não tenho 26 anos e confesso que a ideia de ir ao Rio de Janeiro em junho me dá uma certa preguiça. Porém, até lá tudo pode acontecer, não é?

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105. Quando a publicidade erra o alvo

Iniciativas mirabolantes para atrair a atenção para anúncios conseguem ser apenas ridículas.

Os publicitários andam inventando estratégias cada vez mais estranhas e intrusivas para vender o peixe de seus clientes. Outro dia, por exemplo, eu estava passeando no Facebook quando um anúncio de iPad começou a chacoalhar na tela. Atordoada, apertei o X para exterminar o inseto virtual. Em vez disso, me vi no site de uma gincana qualquer cujo prêmio era a maquininha. Pensando ter errado a mira, fiz o caminho de volta à rede social. E lá estava a vespa tecnológica zunindo. Apertei de novo o mata-moscas eletrônico, agora com máxima precisão, e – plim! – caí outra vez na gaiola promocional.

Com medo kafkiano de virar prisioneira eterna do marketing digital, fechei o browser e fui tratar da “vida presencial”. Em vez de atiçar meu desejo (inexistente) de possuir um iPad, aquela publicidade deu raiva e me lembrou de notícias recentes sobre os bastidores macabros da fabricação desses gadgets. Assim que voltei ao Facebook (o anúncio sacolejante tinha ido atazanar outra freguesia – ufa!), postei a reportagem “O custo humano embutido num IPad” http://economia.estadao.com.br/noticias/neg%C3%B3cios,o-custo-humano-embutido-num-ipad,100770,0.htm, do NY Times, publicada no Brasil pelo Estadão. Aqui vai um trecho: “Os operários encarregados da montagem dos iPhones, iPads e outros aparelhos com frequência trabalham em condições terríveis. Fazem horas extras excessivas, em alguns casos trabalham sete dias por semana e vivem em dormitórios superlotados. Empregados menores de idade ajudaram a fabricar produtos da Apple, fornecedores da companhia armazenaram inadequadamente lixo tóxico e falsificaram registros”. A indústria de celulares também tem muito do que se envergonhar, como já contei aqui (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/93-como-nascem-os-celulares/).

Não foi a primeira nem a última vez que eu tentei fechar um anúncio e acabei no site do anunciante. Ao que parece, são erros intencionais visando aumentar o “click through” da publicidade. Para quem não é do ramo, explico: na internet a eficiência da publicidade costuma ser aferida pelo número de pessoas que clicam nos anúncios. Ao forçar o clique, a turma do marketing infla artificialmente o próprio sucesso, atitude desonesta com o internauta e também com o cliente.

Outro absurdo: em 9/3, a agência paulistana XYZ Live publicou anúncios de página inteira nos jornais para dizer ao mundo que contratou uma vice-presidente comercial e mostrá-la num retrato de 40cm de altura. Puro nonsense, já que a notícia só interessa ao métier e, sobretudo, à turma da fofoca no cafezinho da tal firma. Fiquei imaginando as centenas de toneladas de papel e os litros de tinta tóxica desperdiçados nessa demonstração pública de poder econômico e de imperiosa necessidade de inflar o ego da executiva. Vivendo num mundo de recursos cada vez mais escassos, há infinitas maneiras mais éticas de gastar as dezenas de milhares de reais que foram necessários para comprar todo aquele espaço na imprensa.

Minha hipótese é que essas doideiras são sinal de desespero nos corredores das agências. A exposição maciça à mídia anestesiou o consumidor, que presta cada vez menos atenção em anúncio. Como dizia aquela profética música dos anos 80: “Eu tenho pressa e tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim”.

De resto, com honrosas exceções, predomina o feijão com arroz nos reclames. Ou seja, diariamente somos bombardeados por piadinhas sem graça, falsas promessas de felicidade a partir do consumo de produtos ordinários, valores egoístas e preconceituosos.

Até mesmo esse blog, veja só, se tornou vítima da pirataria do marketing. Algum espetinho espetou em alguns posts antigos (que eu raramente inspeciono) links em palavras soltas para anúncios. O engraçado é que os textos são sempre muito críticos ao consumismo. Quando localizo, arranco a erva daninha na hora. Se você encontrar a praga por aí, por favor me avisa que eu vou lá de machado na mão.

PS – Geeente, acho que irritei o hacker! Depois que postei esse texto, 3 palavras apareceram com link publicitário pirata: prêmio, condições e notícia. Por favor não cliquem. Estou indo atrás de quem cuida das questões tecnológicas para eliminar isso. Na ferramenta de edição do blog os links são invisíveis. Espero resolver logo.

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104. Verão na horta, chuchu na panela

Nessa época do ano, a umidade e o calor em excesso estressam as plantas e quem cuida delas. Mas, enquanto as espécies estrangeiras sofrem, as nativas crescem bem e frutificam.

Quando está calor demais, se bobear a terra encharca, as folhas murcham e as mudas novinhas morrem queimadas. Sem falar que os pulgões & cia aparecem com mais freqüência. Nos anos anteriores, eu molhava demais, inclusive perto do meio-dia, preocupadíssima em evitar a desidratação. Vendo as coitadinhas retorcidas, corria com o regador para dar um alívio. Aprendi que esse é um erro comum. Quando fiquei prática do manejo do “dedômetro” (enfiar o dedo na terra para testar a consistência e umidade) notei que nem sempre elas murcham por falta d’água. Muitas vezes os vegetais estão apenas se protegendo do excesso de raios solares e da temperatura alta demais. E jogar água nas plantas sob o sol forte só piora o problema, pois isso pode literalmente cozinhar as plantas. Hoje prefiro nem aparecer na horta no meio do dia quando a temperatura está acima dos 30ºC, assim não fico nervosa.

Para evitar o superaquecimento, só cobrindo a terra com uma camada de 5 a 10 cm de palha seca e providenciando sombra parcial. Pode ser com toldo, sombrite (tela que existe para isso mesmo e é vendida em casas agrícolas) ou, melhor ainda, com a própria vegetação. Atualmente, crescem em volta dos meus canteiros suspensos trepadeiras que fizeram uma cortina verde e ainda oferecem frutos. Chuchu e maracujá são ótimos para isso e estamos em plena safra! O povo tem razão quando diz que chuchu “dá” demais. Cheguei a colher mais de 10kg num único dia. E saio por aí distribuindo para os vizinhos, pessoas que vêm prestar algum serviço, colegas em reuniões e até no treino de basquete levei para abastecer a despensa das companheiras de time. Eu e a Rose, que trabalha aqui em casa, ficamos craques em receitas com chuchu e coloquei aí embaixo as que fazem mais sucesso. Numa dessas entregas, a Olinda, que mora em frente, recomendou colher os chuchus enquanto estiverem pequenos para ficarem mais tenros e saborosos.

Antes de reclamar do clima, cabe uma reflexão sobre nossas escolhas e histórico alimentar. Grande parte das espécies que cultivo é estrangeira, proveniente de locais em geral mais secos e frios do que São Paulo. Alecrim, tomilho, sálvia, orégano e rúcula, por exemplo, vieram das bordas do mediterrâneo. Alface, da Ásia ocidental. Tomate, do Peru, e manjericão, da Índia. Cebolinha é européia, não sei de que região. Está explicado por que se dão muito melhor no inverno daqui!

Mas basta olhar o pé de taioba, o chuchuzeiro e o maracujazeiro para perceber que, como a maioria dos brasileiros, preferem os dias de verão. Fui pesquisar as origens e — voilá! – são todos tropicalíssimos. A taioba, ignorada por décadas e entrando na moda, é aqui do Brasil (substitui espinafre em qualquer receita). O chuchu, nativo da América Central, vem sendo apreciado desde o tempo dos astecas. E o maracujá também surgiu nas regiões quentes do nosso continente.

Pensando numa agricultura mais sustentável para o futuro, com certeza teremos que recorrer às espécies nativas, totalmente adaptadas ao clima local e, por isso, mais fáceis de cultivar e menos suscetíveis a doenças.

Hora de ir para a cozinha!

TORTILHA DE CHUCHU DA CLAUDIA (fácil e rápida)
Ingredientes
-
 1 ovo (orgânico de preferência)
- ½ chuchu pequeno ou médio sem casca, ralado grosso
- 1 colher de sopa de cebola crua picada
- gersal (ou sal comum) a gosto
- um pouco de erva fresca picada (salsinha, cebolinha, nirá ou tomilho são as melhores)

Como fazer
Bata o ovo com o garfo. Junte os demais ingredientes e coloque numa frigideira bem pequena para ficar alto como uma tortilha. Quando perceber que o lado de baixo está sequinho e dourado, vire com cuidado. Eu uso o chuchu cru, mas se preferir pode ferver com um mínino de água por 1 minuto e escorrer bem antes de incorporar à mistura.

 

SUFLÊ DE CHUCHU DA ROSE (delicioso e chic)
Ingredientes
- 5 chuchus pequenos ou médios
- 1/2 cebola picada
- 2 gemas
- 2 claras em neve
- 1 colher de manteiga
- 1 colher de sopa de maisena
- 1 colher de café de raspas de limão
- 1 colher de sopa de parmesão
- folhas de manjericão fresco picadas
- sal a gosto

Como fazer
Descasque e corte os chuchus na metade. Cozinhe no vapor até ficar macio. Amasse com um garfo. Em separado, refogue a cebola na manteiga. Depois que o chuchu e a cebola esfriarem, misture todos os ingredientes menos as claras em neve, que devem ser levemente incorporadas no final. Unte uma forma refratária (de preferência redonda) com manteiga e polvilhe com farinha de trigo. Coloque no forno a 180ºC e em cerca de 40 minutos está pronto.

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103. A polêmica das sacolinhas

Respondo aqui questionamentos sobre o sumiço das embalagens descartáveis gratuitas dos supermercados.

Tempos atrás resolvi escrever um post com dicas para facilitar a vida de quem está se acostumando a ir às compras com suas próprias sacolas (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/73-sem-medo-de-dizer-adeus-sacolinhas/). E aí, tanto no blog quanto na “vida real”, tenho observado comentários mau-humorados e alguns até ofensivos à turma dos ambientalistas.

Sou totalmente a favor da conversa entre pessoas que possuem diferentes pontos de vista. Acredito que, no encontro respeitoso entre índios de diversas tribos, todos ganham. Os tempos de informalidade e comunicação eletrônica que vivemos, no entanto, pedem ainda mais atenção com as regras de civilidade. Trocando em miúdos: seja bem-vindo ao debate, mas por favor se manifeste com gentileza! Agora, respondendo aos seus questionamentos…

E a maioria da população que tem que pegar ônibus, trem, metrô? Vai carregar caixas? As sacolinhas plásticas não tornam as compras mais leves. E o risco do plástico fino das descartáveis rasgar é maior do que no caso das sacolas duráveis.

O líquido de carnes em contato com tecido ou papelão não irá aumentar o risco de contaminação? Há cerca de 20 anos uso sacolas retornáveis e nunca tive esse problema. Sequer embrulho as carnes com plástico extra. Costumo colocar os “úmidos” todos juntos. Como tenho tanto sacolas de tecido quanto de trama plástica (aquelas tradicionais “de feira”), dou preferência às últimas para as carnes. De vez em quando, lavo todas com minhas próprias mãos e coloco para secar no sol.

E os produtos de limpeza ficarão juntos com os alimentos na caixa?É possível reservar uma sacola exclusivamente para produtos de limpeza. Não preciso fazer isso porque o consumo dos itens químicos na minha casa é bem pequeno (quase tudo dá para limpar com sabão de coco e bastante esfregação). Com as ecobags fica fácil organizar as compras ali na saída do caixa. Enquanto os produtos vão passando pelo leitor do código de barras, já separo cada grupo em uma sacola diferente. Isso simplifica muito o trabalho de guardar em casa. Como prefiro fazer isso pessoalmente, quando há empacotadores tomo o lugar deles.

E o povo vai colocar o lixo aonde? Direto nas ruas? Vai ter condições de comprar sacos de lixo? Realmente, nos locais onde falta urbanização e coleta de lixo decente a coisa complica. Mas a culpa não é da falta de sacolas plásticas. Ao contrário, elas representam riscos extras para a população carente. O governo de Bangladesh foi um dos primeiros a banir as sacolinhas, depois de enchentes devastadoras e muitas mortes devido ao entupimento da rede de esgotos por sacos plásticos. E o pessoal de uma comunidade de Florianópolis criou uma solução brilhante para o lixo orgânico, o mais problemático. É a Revolução dos Baldinhos: http://www.youtube.com/watch?v=NlFFmO-xkBI.

Vocês ecos já estão fora de moda de tanto se acharem. Se não gostam de sacolas plásticas, usem as de tecidos, carreguem bastante peso e contraiam uma lordose. Como disse acima, as sacolas plásticas não deixam as compras mais leves. E, na minha opinião, tornam o transporte mais desconfortável. Nós ambientalistas nem pretendemos estar na moda, muito ao contrário. Fazemos ativismo porque queremos que a sociedade se torne mais justa, com oportunidades de consumo mais igualitárias. Estamos tentando criar uma nova economia, baseada num ciclo virtuoso de geração de trabalho e renda em atividades que melhorem o meio ambiente e as condições de vida de todos os seres, não só os humanos.

Enquanto os barões do varejo negam as sacolas plásticas preocupados com a ecoidiotice ambiental, deveriam também se preocupar com as garrafas PET que são despejadas no meio ambiente. Tem razão! Garrafas PET são um problema ainda pior. Dê uma olhada no que diz a iniciativa Água na Jarra: http://www.aguanajarra.com.br/. Também acho ruim a superconcentração econômica do varejo e dou preferência às lojas menores (de bairro) e à entrega domiciliar de produtos agroecológicos cultivados na minha região. Além disso, evito o consumo de alimentos industrializados, sobretudo os provenientes de grandes corporações.

Então “caros defensores da Terra”, por que não brigam por um melhor saneamento básico em nosso país, por uma melhor coleta seletiva de resíduos sólidos, pelo fim (mas fim mesmo) de todas as embalagens plásticas. Nós estamos fazendo isso. Escrevemos blogs, fazemos campanha, passeata, tentamos conscientizar as pessoas pelo Facebook e até participamos dos Conselhos de Desenvolvimento Sustentável (CADES) dos nossos municípios (http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/cades/). Qualquer cidadão pode freqüentar as reuniões. Vamos nessa?

Por que eu tenho que levar embalagens para o supermercado se os políticos e as empresas não fazem a parte deles? Se todos se acomodarem, nunca as coisas vão melhorar. Com que moral cobraremos atitudes mais sustentáveis dos governantes e das empresas se não estamos dispostos a mudar em nada os nossos hábitos?

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102. Alimentos para um mundo melhor

Nesse sábado, dia 11 de fevereiro, vou dar um minicurso sobre consumo consciente de alimentos e horta doméstica. Será no Quintal dos Orgânicos (R. Fradique Coutinho, 1416, Vila Madalena) das 9 às 12h e a inscrição custa R$ 80.

Comecei a me interessar por orgânicos e agricultura urbana ao me dar conta de que toda vez que abro a geladeira, escolho um prato no restaurante ou faço a lista de supermercado estou mudando o mundo e minha vida para melhor ou para pior. Então passei a buscar escolhas alimentares que reduzem os impactos negativos na natureza, evitam doenças, promovem a justiça social e são muito mais nutritivas e saborosas. O que venho aprendendo e experimentando ao longo do anos vou compartilhar no curso.

A proposta é pensar globalmente e agir localmente. Na primeira parte, uma rápida explicação sobre os riscos da agricultura à base de agrotóxicos, as diferenças entre a produção orgânica e agroecológica e a importância de apoiar os pequenos produtores locais. Depois, um passeio pela agricultura urbana dos tempos modernos e muitas dicas para produzir alimentos no quintal de casa ou na varanda do apartamento.

Além de ter comida orgânica fresquinha em casa, plantando em casa você reduz o uso de embalagens, as emissões de gases do efeito estufa (não é preciso transportar a produção) e consegue presentear os amigos de uma forma sustentável. Para completar o pacote de vantagens, cuidar da horta é uma deliciosa terapia.

Se quiser participar mande um e-mail para claudia@conectar.com.br com as seguintes informações: Nome / Idade / Profissão / Telefones para contato / Por que essa oficina o interessa?

As vagas são limitadas e quem se inscrever com antecedência recebe como brinde especial produzido pelo Sabor de Fazenda: três mudas de ervas e terra adubada.  

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101. O canteiro abdominal

A história do aparelho de ginástica aposentado que virou berço de tomates, berinjelas, cebolinhas e alfaces.

Janeiro é o mês de organizar armários e preparar a casa para o novo ciclo. Um trabalhão, sobretudo porque me esforço ao máximo para não enviar nada para o lixo. Mas também uma delícia, pois a mente e a alma vão encontrando seu lugar enquanto os objetos são reencontrados, ganham limpeza, novas funções, novos donos. No meio das tralhas, achei um velho aparelho de fazer abdominais e resolvi transformá-lo num canteiro. A explicação vem antes e as imagens estão abaixo.

1 ) Comecei a aventura usando uns restos de madeira para fixar a base. Amarrei com arame e chequei a estabilidade.

2) No fundo entrou o sombrite, uma tela preta que as casas agrícolas vendem, e uns pedaços de delimitador de  grama (essa faixa de plástico) para aumentar a sustentação.

3 ) Aí veio a manta drenante (conhecida nas lojas de jardinagem pela marca “bidim”), que tem a função de deixar o excesso de água ir embora mas segurar a terra.

4) Para fixar tanto o sombrite quanto o bidim, costurei no cano usando arame. Aprendi recentemente que alicate serve para cortar arame: é só ir dobrando para cá e para lá. 

5) Enchi com uma mistura de terra, areia, composto e adubo orgânico, húmus das minhas minhocas, vermiculita, cinzas (da pizzaria da esquina) e um pouco de carvão picado. Coloquei as mudas e cobri a terra com palha.

6) Duas semanas depois, as plantas já estavam bem maiores. Apenas o pé de couve não ia bem e, consultando a tabela de alelopatia (combinação de plantas) percebi que não se dá com tomateiro. Então transferi para outro canteiro. Agora é só esperar para comer os tomates e as berinjelas. Alface e cebolinha já está dando para colher! :-)

Agora, as fotos, que ficaram meio bagunçadas porque essa ferramenta de publicação de blog está maluca. Ou eu. Enfim, depois mando notícias da lavoura-fitness. 

 

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100. Isso é férias?

Falta de preparo para lidar com a chuva causa tragédias. Esgoto polui praias. Superlotação atrapalha passeios. Por essas e outras, guardei a mala e agora quero aproveitar muito o verão sem sair da metrópole.

Nas últimas semanas viajei duas vezes, por poucos dias e sem percorrer grandes distâncias. Enquanto estive longe de casa, assisti ao vivo, pela TV e nos jornais os dramas do verão. Pavorosas notícias sobre inundações, deslizamentos, soterramentos e acidentes de automóvel. Melancólicos informes sobre a poluição em diversas praias do litoral paulista, com a CETESB sugerindo aos cidadãos ficar longe do mar nesses locais (relatórios atualizados em http://www.cetesb.sp.gov.br/qualidade-da-praia). Fiquei pensando nas pessoas (em especial as crianças) que tanto sonharam com mergulhos nas ondas e agora correm o risco de adoecer. Isso sem falar nos congestionamentos em estradas, na lotação absurda dos aeroportos e das atrações turísticas. Subir no Cristo Redentor pode demorar até 8 horas e famílias inteiras atolam nas filas dos brinquedos da Disneyworld. Ouvi dizer que os outlets da Flórida estão abarrotados, mas da turma enjaulada nas lojas não tenho pena. Larguem as compras e vão passear! Até mesmo os bistrozinhos descolados parisienses andam servindo comida congelada, relata a cronista chique Danuza Leão (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/danuzaleao/1031334-paris.shtml).

Já ouvi pessoas que repudiam a democratização do turismo fazerem comentários do tipo “O aeroporto está parecendo uma rodoviária”. Não concordo com essa postura. Seria ótimo se todos os 7 bilhões de seres humanos pudessem veranear em praias desertas e conhecer as grandes maravilhas do planeta. No entanto, não há como fazer de forma sustentável o deslocamento de multidões ávidas por consumo e experiências inesquecíveis. O turismo está entre os muitos comportamentos sociais que caducaram diante da situação atual da humanidade no planeta. Aliás, o próprio conceito de férias como válvula de escape para um cotidiano massacrante já demonstra o grau de desequilíbrio em que vivemos.

Mesmo sabendo que opiniões assim fazem com que nós, os ecochatos, tenhamos conquistado a fama de estraga-prazeres, está difícil ficar quieta diante de tanta confusão. Quero ser feliz todos os meses do ano e todos os dias da semana, sem muita distinção entre o que é trabalho e o que é lazer, o que é estudo e o que é diversão.

Vou aproveitar o que resta da temporada passeando nos parques e praças de São Paulo, encontrando os amigos com calma, indo ao cinema, ouvindo música, lendo, cozinhando e, é claro, cuidando das plantas. Oba!

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Simplesmente

Dá para ser muito feliz consumindo menos.

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