Dá para ser muito feliz consumindo menos

148. Meus produtos de limpeza

Na lista de compras, apenas sabão de coco (em pó e em barra), bicarbonato, álcool e açúcar mascavo. Desinfetante e detergente eu faço em casa. 

Sabe aquelas gôndolas do supermercado onde ficam centenas de produtos de limpeza? Não frequento mais. Quer dizer, entro naquele corredor de vez em quando só para pegar álcool líquido e fujo logo porque o cheiro me faz mal e as embalagens descartáveis prometendo maravilhas dão vontade de chorar.

Reduzir o consumo de plástico é uma das razões pelas quais eu recuso os produtos de limpeza industrializados. Então vou fazendo meus produtos e reutilizando mil vezes as mesmas garrafas pet. A outra é a sopa química de ingredientes que polui nossas águas e cujos efeitos na nossa saúde são pouco conhecidos. Não conseguiria voltar para os limpadores “normais” nem que quisesse. Desacostumei (ou será desintoxiquei?) e tenho dor de cabeça instantânea na presença deles. Até mesmo quando a vizinha lava o quintal fecho as janelas para tentar me proteger do cheiro do sabão em pó.

Então como eu me viro?
LAVAR ROUPAS – Sabão de coco em pó + bicarbonato de sódio. Lavo em bacia e assim toda a água dá para reutilizar na rega das plantas. Agora estou experimentando adicionar um copo de enzima do lixo ao sabão. Que história é essa de enzima do lixo? Explico abaixo, com fotos. Detalhes sobre meu método ecológico de lavagem de roupas aqui: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/141-lavar-roupa-na-bacia-divertido/

LAVAR LOUÇA – Sabão de coco em barra e bucha vegetal. Com enzima do lixo também dá para lavar, já tentei e ainda estou me habituando. Neide Rigo fala sobre isso no blog dela: http://come-se.blogspot.com.br/2015/12/desengordurante-ecologico-feito.html

FAXINA GERAL – Vassoura de palha, aspirador de pó, pano úmido com desinfetante caseiro de citronela (receita abaixo) ou pano úmido com enzima do lixo bem diluída (uma colher por litro). Manchas e sujeira mais grossa: sabão de coco e/ou enzima do lixo sem diluir.

LIMPAR O BANHEIRO – Água da cisterna e sabão de coco em pó. Mais nada.

Onde comprar?
Sabão de coco – Uso a marca Milão e compro na loja online de um colega permacultor. O pedido mínimo é de R$ 300 então vale a pena juntar a família, os vizinhos e fazer compra coletiva. Contato: lojamixeco@gmail.com / http://www.mix.eco.br/.

Bicarbonato – O supermercado vende só saquinhos com 30 gramas (não dá para nada). Como o bicarbonato é também meu xampu e eventualmente desodorante (no momento estou usando um desodorante artesanal que a permacultora Clarice Pimentel faz, mas o bicarbonato também funciona muito bem), compro por quilo em lojas online como essa: http://www.imperiodobanho.com.br/bicarbonato-sodio-1kg-p180 . Os cosméticos são tema para outro post, que vou fazer em breve.

Como fazer?
DESINFETANTE
1. Pegue um montão de folhas de citronela (eu tenho no quintal e é facílimo plantar e cuidar), pique e coloque dentro de um litro de álcool. Quanto mais, melhor. Você pode tirar um pouco do álcool para caber no recipiente.
2. Espere alguns dias para o álcool ficar verde-citronelado.
3. Coloque 2 copos desse álcool numa garrafa PET de 2 litros, acrescente umas 4 colheres de bicarbonato, preencha com ÁGUA (na primeira versão desse post escrevi “álcool” aqui, mas o correto é água). Pronto!
Além da limpeza da casa, serve para lavar as mãos e o corpo em caso de emergência, vide Manual de Sobrevivência para a Crise da Água, páginas 17 e 20. http://aguasp.com.br/app/uploads/2015/04/manual%20de%20sobrevivencia%20para%20a%20crise.pdf

ENZIMA DO LIXO
Descobri a existência disso por meio do Luiz Felipe Pacheco num curso de permacultura. É um fermentado de 3 partes de cascas de cítricos, 1 parte de açúcar mascavo e 10 partes de água. Demora três meses para ficar pronto e tem mil utilidades. O produto final é um líquido amarelo, cheiroso, poderoso e imperecível que serve para limpeza, fertilizante líquido (1 colher por litro) e até para tratar esgoto e desentupir canos. Foi inventado na Malásia pela doutora Rosukon Poompanvong. Tem muita informação sobre isso na internet. Se você entende inglês, pesquise “garbage enzyme”.

Mais informações sobre a enzima do lixo:
https://www.youtube.com/watch?v=Lv0FgPi96Zw
http://www.thediysecrets.com/2009/11/what-is-garbage-enzyme/

Para saber mais sobre permacultura:
http://conectarcomunicacao.com.br/blog/99-um-2012-permacultural-para-voc/

Passo a passo da enzima do lixo
1 – Congele as cascas de limão e laranja. Quando tiver uma boa quantidade, coloque numa garrafa pet lembrando que são 3 partes desse ingrediente.

 

 

 

 

2 – Agora acrecente uma parte de açúcar mascavo.

 

 

 

 

3 – Coloque 10 partes de água e lembre de deixar um espaço vazio na garrafa para conter os gases da fermentação. Escreva a data. Abra e mexa todos os dias por um mês.

 

 

 

 

4- Depois de 3 meses ou mais a aparência é assim. Não assuste, coe!

 

 

 

 

5- Eu uso uma peneira e essa primeira filtragem vai para o balde.

 

 

 

 

6- As cascas deixo secar bem no sol para depois fazer fogueira em casa (é bem cheiroso) e usar as cinzas como adubo.

 

 

 

 

7- Aí passo na peneira mais fina e coloco no galão.

 

 

 

 

 

8 – Do galão vai para a garrafa. Espero decantar uns dias e está pronto para usar!

 

 

 

 

 

 

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147. 7 sugestões para o ativismo coletivo dar certo

Montagem de canteiro na Horta das Corujas. foto de Pops Lopes

Já faz uns anos que participo de vários coletivos e tenho vivido experiências incríveis de liberdade, fraternidade e igualdade.

Também percebo que não é fácil mudar o jeito de fazer as coisas e a inércia às vezes carrega a gente para a egotrip, a vontade de mandar e outros vícios da sociedade competitiva.

Essa apresentação minimalista eu fiz para apresentar no curso de permacultura da Casa da Cidade e resolvi colocar na roda, pois pode ser útil para outras pessoas.

http://pt.slideshare.net/claudiavisoni/ativismo-coletivo 

Vamuquivamu mudar o mundo!

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146. De onde vem a comida?

Cada garfada tem muita história para contar. De onde vem aquele alimento? Quem produziu? Como? Onde? Como foi a comercialização e o preparo? Comer é um ato político, como diz Michael Pollan. E também um ato de amor ou desamor, digo eu. Apostando na primeira opção, fiz de comprar, plantar e cozinhar comida natural, fresca e sem veneno uma prioridade. Sim, gasto bastante tempo, dinheiro e energia nisso. E acredito que não existe maneira mais poderosa e saborosa de mudar o mundo.

O outro lado da moeda infelizmente é o mais comum ainda. A tal praticidade tão valorizada pelo supermercado e pela indústria alimentícia causam altos impactos sociais, ambientais e de saúde. Não por acaso as embalagens e a publicidade fazem de tudo para apagar ou forjar a história dos alimentos que nos empurram. Se os rótulos estampassem as fotos reais de cada etapa de produção, as grandes indústrias do setor e big varejistas iriam à falência. Não faltariam cenas de crueldade animal, destruição de florestas, uso de agrotóxicos, exploração de trabalhadores e manipulação química, entre outros horrores. Por isso evito ao máximo tanto o supermercado quanto os ingredientes convencionais e a comida processada.

Pensei tudo isso quando estava prestes a devorar o prato da foto. Almocinho caseiro feito na hora por mim mesma, num dia mais do que comum. Então resolvi contar a história de cada ingrediente…

A porção verde é composta de caruru e mostarda colhidos minutos antes no quintal de casa. O caruru é uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional), aquilo que as pessoas chamam de mato e geralmente arrancam. Espécie que nasce sozinha sem ninguém plantar, dá até em fresta de calçada. Parente do amaranto, é muito rica em proteína. A mostarda é de uma variedade roxa, cuja semente ganhei do mestre permacultor Peter Webb. Além de plantar em casa, coloquei vários pés na Horta das Corujas, uma horta comunitária na Vila Madalena onde trabalho voluntariamente. Se você passar por lá, siva-se. Mas retire só as folhas que vai usar e deixe a planta na terra continuar produzindo para que outras pessoas também tenham essa oportunidade.

Ao lado, arroz integral com lentinha, pimentão, pimenta, cúrcuma e alho poró.

Vamos por partes:
O arroz integral orgânico Volkman veio do Rio Grande do Sul. É cultivado por uma família dedicadíssima à agricultura biodinâmica. Há anos encomendo dessa marca para o Sítio A Boa Terra (www.aboaterra.com.br), que faz entregas domiciliares semanais de orgânicos em casa. Mas esse arroz foi ainda mais especial, pois minha amiga Thais Mauad organizou uma compra coletiva. Além de sair mais barato, adorei a sensação de fazer parte da turma.

A lentilha veio do supermercado mesmo, assim como o azeite usado no preparo. Nunca achei lentilha orgânica para comprar e estou atrás. Se você souber quem vende, por favor me avise.

Pimentão verde e pimenta vermelha plantados por mim no quintal.  É indescritível a sensação de comer um alimento cuja semente a gente viu germinar. Por falar em sementes, foram produzidas aqui mesmo. Ou seja, já existem várias gerações desses ingredientes na minha horta. E a pimenta nem sei o nome. É uma variedade pequena, redonda e vermelha que a Glycia, minha sogra, trouxe de Minas Gerais. Tão lindos meus pimentões e pimentas… Pena que não fotografei antes de nhac!

Alho poró entregue fresquinho pelo pessoal do Sítio A Boa Terra. Encomendo pela internet toda semana e os vegetais são colhidos na véspera. Viajam para São Paulo durante a noite e de manhã tocam a campainha de casa.

Cúrcuma, uma raiz laranja que dá cor linda na comida, muito aromática e que ainda por cima tem superpoderes medicinais. Comprei no Instituto Chão (https://www.facebook.com/institutochao?fref=ts), um supermercado de orgânicos na Vila Madalena que resolveu partir logo para a utopia e eu amo. Vendem tudo a preço de custo e a loja sobrevive do doações. Sou uma apoiadora e dôo R$ 60 por mês. Posso ir lá fazer compras quantas vezes quiser e vale muito a pena. Pelo preço, pelo clima, pela simpatia dos donos, por estar junto ajudando no sonho de baratear os orgânicos e ao mesmo tempo remunerar bem o pequeno produtor.

Está servido?

 

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145. Procura-se conselheiro do meio ambiente

Há dois anos sou conselheira do meio ambiente na subprefeitura de Pinheiros. O mandato está acabando, aprendi muito e vou tentar me reeleger. Precisamos de mais candidatos e as inscrições terminam em 30 de junho.

Na gestão atual, que se iniciou em 2013, fui a terceira mais votada, tendo recebido a enorme quantidade de… 26 votos. Por aí já dá para ter uma ideia de que o CADES é quase secreto na cidade. Além de pouco conhecido e nada divulgado, não é deliberativo (apenas consultivo) e não tem atribuições muito claras. Ou seja, tudo montado para se tornar mais uma instância inútil e irrelevante pendurada na burocracia governamental.

Só que as coisas podem ser diferentes. E nos últimos dois anos têm sido! Desde que me tornei conselheira, juntei forças com as colegas Madalena Buzzo, Joana Canedo e Thais Mauad num Grupo de Trabalho de Arborização e Agricultura Urbana ativíssimo que, entre outras mil coisas, organizou cursos para a comunidade e treinamentos para as equipes de manutenção de áreas verdes da prefeitura. Também por meio do CADES e de permacultores voluntários conseguimos realizar em 2014 um curso de introdução à permacultura urbana que foi sensacional (https://pt.wikiversity.org/wiki/Introdu%C3%A7%C3%A3o_%C3%A0_Permacultura_Urbana).

Então fica o convite para quem quiser entrar nesse barco tentar tornar a cidade mais verde e mais sustentável. Mesmo que eu não consiga me reeleger, estarei pronta para prosseguir nos grupos de trabalho (sim, esses grupos são abertos e não precisa ser conselheiro para participar).

Só tem uma coisa: se você resolver se candidatar achando que alguém vai querer ouvir seus conselhos sobre como a cidade deveria ser, esquece. O chamado é para colocar a mão na massa e esquentar os neurônios tentando encontrar maneiras de quebrar a inércia desse modelo insustentável em que a gente vive. A subprefeitura e seus funcionários têm sido bem parceiros, mas eles estão atolados de demandas e para as nossas atividades acontecerem somos nós que temos que suar a camisa.

Informações básicas

  • Os conselhos de meio ambiente das subprefeituras são compostos por oito cidadãos eleitos por voto direto, com mandato de dois anos, e oito representantes de diversos órgãos da prefeitura.
  • Nem sempre essas cotas são preenchidas, já que nem a sociedade nem a municipalidade dão muita bola para o CADES. Aliás, alguns CADES estão atualmente desativados.
  • Qualquer pessoa pode assistir às reuniões mensais que em Pinheiros acontecem na segunda quarta-feira das 17h às 19h (Endereço: Av. Nações Unidas, 7123 – Alto de Pinheiros, ao lado da estação Pinheiros do Metrô/CPTM. Só que a de julho não vai acontecer). A comunidade pode (e deve) levar pedidos e sugestões ao conselho que sejam relacionados às questões ambientais da cidade.
  • Os conselheiros não recebem remuneração ou privilégio de espécie alguma. A obrigação básica é comparecer às reuniões mensais.

A eleição de Pinheiros – Será em 26 de julho, domingo, na Praça de Atendimento da Subprefeitura Pinheiros ( Av. Nações Unidas, 7123, térreo) das 10h às 16h. Para votar é preciso ter mais de 16 anos e levar o documento de identidade e um comprovante de que mora ou trabalha na região.

Para se candidatar é preciso ter mais de 18 anos e fazer a inscrição até 30 de junho (terça-feira). Documentos necessários: cópia da identidade, comprovante de que mora ou trabalha na região, uma foto e uma carta formalizando o pedido de candidatura.

Para saber mais

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144. Em defesa das árvores de São Paulo

Esta carta aberta foi enviada ao Prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e ao Secretário do Verde e do Meio Ambiente, Wanderley Meira. O texto é resultado do trabalho coletivo do Grupo de Arborização Urbana do Conselho de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz da Subprefeitura de Pinheiros, do qual faço parte.

As árvores urbanas oferecem inúmeros benefícios à população, sendo um dos principais atuar como filtro para a poluição do ar. Apenas uma árvore em frente a uma residência pode reduzir em mais de 50% a presença de material particulado nos ambientes internos, protegendo a saúde de seus moradores e até evitando mortes. Além disso, as árvores umidificam o ar, ajudam a combater as ilhas de calor e a evitar enchentes, além de melhorar as condições psicológicas das pessoas. Em Nova York, estimou-se que o decréscimo de material particulado do ar retido pela massa árborea por um ano representaria uma economia da ordem de 60 milhões de dólares em gastos de saúde, principalmente em doenças pulmonares e cardiovasculares – para citar um único exemplo de economia gerada ao município graças à arborização. Isso sem falar nas demais vantagens aos cofres públicos geradas pelos outros serviços que são oferecidos pela arborização urbana.

Só que a maior parte dos paulistanos não sabe disso e vê as árvores apenas como produtoras de “sujeira” (as folhas que caem sobre o solo e os telhados), fontes de danos ao “patrimônio” (devido à quebra de calçadas pelas raízes) e potenciais causadoras de acidentes. Atos de vandalismo são comuns, assim como o enforcamento de árvores, que ocorre quando as raízes são cimentadas, e ferimentos ao caule durante o corte da grama.  Somam-se aos maus tratos infringidos pela população as podas mal executadas, tanto pelas equipes terceirizadas a serviço da prefeitura quanto pela Eletropaulo, e temos um cenário de desastre: muitas árvores com risco de queda e a população querendo se livrar da arborização.

Numa floresta, é muito raro cair uma árvore. Numa cidade onde a manutenção é ruim e os cidadãos não possuem educação ambiental, caem árvores aos montes. Ainda por cima, as pessoas colocam a culpa das quedas nas próprias árvores, pois desconhecem que os fatores já citados e o mau planejamento (plantio de espécies inadequadas ao local) são os grandes responsáveis pelos “acidentes”.

A qualidade do ar é uma questão prioritária de saúde pública em São Paulo e por isso está na hora de virar o jogo em relação às árvores da cidade. Embora o plantio de 900 mil mudas seja a meta número 88 da atual gestão, os números ainda são tímidos (apenas 211 mil mudas plantadas até agora). E os resultados, desoladores: devido à falta de manutenção e fiscalização, a maioria dessas mudas jamais se tornará uma árvore adulta.

Alguns exemplos do que vem ocorrendo na cidade:
- Em algumas regiões os plantios são suspensos durante o período seco (que nos últimos anos se estende por quase todos os meses) porque a prefeitura não consegue sequer disponibilizar água nem mesmo para regar as mudas recém-plantadas.

- Milhares de crimes ambientais (sendo o vandalismo, as podas drásticas, o anelamento e o eforcamento de árvores os mais comuns) não são fiscalizados nem punidos.

- Não existem equipes de manutenção da arborização. O projeto-piloto da prefeitura foi descontinuado. Consequentemente,  as mudas não são acompanhadas, o que na maior parte dos casos resulta em sua morte.

- Não há nenhuma iniciativa de educação ambiental relacionada à arborização urbana em curso. Muitos munícipes recusam o plantio de mudas na calçada em frente ao seu imóvel ou destroem as árvores que forem plantadas pela prefeitura. Sem acompanhamento, fiscalização ou punição.

- As equipes a serviço da prefeitura são hostilizadas pelos munícipes que desconhecem boas práticas de jardinagem, como deixar cobertura morta sobre o solo para evitar o ressecamento e compactação. Julgando serem as folhas secas “sujeira”, não deixam os funcionários completarem o trabalho.

- Não há distribuição, ou sequer divulgação, para as equipes de manutenção de áreas verdes do novo Manual de Arborização Urbana, lançado pela prefeitura em janeiro de 2015. As orientações são desconhecidas pelas empresas que executam os serviços.
- Falta diálogo e cooperação entre a Secretaria do Verde o do Meio Ambiente e as Subprefeituras, com regras nem sempre claras para os munícipes, gerando pouca resolutividade em relação às solicitações de podas e queixas de crimes ambientais contra as árvores.

Tem-se falado na criação de um novo Plano de Arborização para a cidade sem que a atual lei que o prevê (LEI Nº 14.186, DE 4 DE JULHO DE 2006)  sequer seja de conhecimento dos gestores. Corre-se o risco de realizar um longuíssimo processo de criação de regras que serão inúteis, caso o suporte e a capacitação básicos às equipes que estão em campo não ocorra.

Mais do que um plano ambicioso, está faltando real vontade de fazer a arborização urbana da maneira que deve ser feita em São Paulo. A começar pelo óbvio: muda que não recebe água morre em poucos dias.

Atenciosamente,
Claudia Visoni, jornalista, ambientalista e conselheira do meio ambiente na subprefeitura de Pinheiros
Joana Canedo, tradutora e conselheira suplente do meio ambiente na subprefeitura de Pinheiros
Madalena Buzzo, administradora de empresas e conselheira participativa na subprefeitura de Pinheiros
Thais  Mauad, médica e professora da Faculdade de Medicina da USP

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143. Manual de Sobrevivência para a Crise da Água

Felizmente São Paulo teve bastante chuva em fevereiro e março. Infelizmente o risco de vivermos um colapso no abastecimento de água não foi embora.

O assunto sumiu dos jornais, mas a situação é muito-muito-muito preocupante. Estamos terminando o período de chuvas sem o nível das represas do Sistema Cantareira, o maior da metrópole, subir acima do volume morto. E os demais reservatórios estão sendo literalmente sugados para dar conta de abastecer 20 milhões de pessoas. Temos menos água estocada do que tínhamos no ano passado e vêm aí longos meses secos. O que vai acontecer ninguém sabe, mas com certeza precisamos nos preparar para situações difíceis.

Nas últimas estive envolvida na edição do Manual de Sobrevivência para a Crise da Água, lançado em 22 de março, Dia Mundial da Água, pela Aliança Pela Água. (E quem sabe escrever quatro vezes a palavra água num mesmo parágrafo atraia mais chuva – rs)

Aqui está o Manual!
- Versão online: http://issuu.com/aguasp/docs/manual_de_sobrevivencia_para_a_cris

- Versão PDF (que acho mais fácil de ler): http://aguasp.com.br/app/uploads/2015/04/manual%20de%20sobrevivencia%20para%20a%20crise.pdf

Os capítulos são os seguintes:
* Por que está faltando água?
* Preparando-se para a emergência
* Práticas de economia máxima
* Estratégias de sobrevivência ao colapso
* Orientações de saúde
* Fontes alternativas de água
* Para saber mais

Além de lidar com a emergência, teremos iniciar desde já a construção de um modelo sustentável de manejo da água. Algo muito diferente do que existe hoje e que vai demandar o trabalho de gerações, mas se começar agora em poucos anos começaremos a ver resultados positivos. Será necessário recuperar a cobertura florestal nas regiões de mananciais e em volta de nascentes, E também implantar infraestrutura verde nas cidades, ou seja, aumentar bastante as áreas não pavimentadas e plantar muitas árvores, entre outras medidas. Além disso, descentralizar a captação de água e o tratamento de efluentes e esgoto. E substituir pastos degradados, eucaliptais e outras monoculturas por agroecologia. Nada disso, porém, é comentado pelos governantes, que apenas listam obras e mais obras muito caras e pouco eficientes.  Nenhuma palavra sobre deixar a natureza se recompor. Se Nova York que é Nova York resolveu seu abastecimento pagando aos sitiantes pela proteção das nascentes, por que nós brasileiros não confiamos na natureza? Será que os atuais detentores do poder conseguirão dar uma guinada rumo à sustentabilidade? Se não, será que dá tempo esperar uma nova geração de líderes?

Vamos torcer para que a crise não se agrave, mas é importante estar preparado para o pior. Boa leitura!

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142. Preparar para a emergência

O colapso no abastecimento de água é uma ameaça real. Enquanto o governo dorme, vamos arregaçar as mangas e fazer o que está a nosso alcance?

O post vai ser curto porque o momento pede menos palavras e mais ação. Finalmente a mídia começa a noticiar que existe uma possibilidade real de colapso no abastecimento de água, o que dispensa explicações sobre o contexto. Só que os governantes continuam paralisados. Então, como diz um amigo, a política pública por enquanto vai ser a política do público.

Em primeiro lugar, é urgente reduzir drasticamente o consumo. Medidas suaves a essa altura pouco adiantarão. Talvez nem a economia doméstica de guerra. Mas pelo menos vai servir como treinamento para o que vem por aí.

Importante ficar claro que colapso é diferente de racionamento. Raciona-se enquanto ainda existe água nos reservatórios. Quando acabar, acabou. A água não virá mais dos canos e sim do caminhão pipa, dos postos de distribuição instalados pelo governo, do subsolo, do rio, da chuva, de onde for. Claro que o estoque de água mineral do supermercado não vai durar nem 15 minutos.

Como a calamidade ainda não chegou, o quanto antes iniciarmos os preparativos para lidar com ela, melhor. Precisaremos ter calma e solidariedade, duas características que não são nosso forte, mas está aí uma boa oportunidade de aprendizado.  Precisaremos rever o funcionamento das cidades e a atividade econômica. E teremos que encontrar água de forma alternativa. Para lidar com a contaminação química e biológica serão necessárias análises em laboratório e destinação específica para águas de qualidade diferente.  Aliás, já está acontecendo um festival de perfuração de poços, muitos deles clandestinos e que podem estar captando água muito poluída. Ou seja, as iniciativas egoístas e espertinhas provavelmente não serão a melhor resposta à crise.

Então o que podemos fazer?

- É prudente construir cisternas (www.cisternaja.com).

- Edificações que bombeiam a água do lençol freático incessantemente para as sarjetas deveriam estar analisando a qualidade de sua água e preparando esquemas para aproveitá-la. Não para cozinhar ou beber, é claro. Mas para manter os banheiros funcionando, por exemplo.

- Existem nascentes nas cidades e precisaremos recuperá-las. Ativistas estão fazendo um trabalho sensacional nesse sentido. O pessoal tem um grupo nas redes sociais que vale a pena acompanhar: https://www.facebook.com/existeaguaemsp?fref=ts.

- Enquanto  lidamos com a emergência, será preciso construir a solução. Se quisermos a chuva de volta, a tarefa que temos pela frente é reflorestar o país. A começar pelas áreas de manancial e margens dos rios. Vamos a ela!

A conversa sobre a escassez de energia fica para uma próxima ocasião.

Para entender as causas da crise:
http://conectarcomunicacao.com.br/blog/135-dossi-crise-da-gua/

http://www.ccst.inpe.br/wp-content/uploads/2014/10/Futuro-Climatico-da-Amazonia.pdf

 

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141. Lavar roupa na bacia é divertido

As roupas vão sendo promovidas da água com sabão para o primeiro e depois segundo enxágue, passando pela cadeira furadinha para escorrer.

Com 50 litros de água, 4 colheres de sopa de sabão de coco em pó, algumas esfregadas com sabão de coco em pedra e um tantinho de exercício ficou tudo limpo. E a água restante regou a horta!

Há cerca de 2 anos resolvi lavar roupas na bacia em vez da máquina (que só uso para centrifugar). Para economizar água e reaproveitar. Achavam que eu estava louca. Hoje em dia, quando conto isso, ainda vejo olhares horrorizados, como se fosse uma tortura medieval. Mas adoro! Abandonei primeiro o amaciante (inútil e cheio de química pesada), depois os sabões “normais”, fortíssimos, cujo cheiro hoje em dia não suporto nem de longe. Agora é só com sabão de coco. E estou em fase de testes para turbinar a lavagem. A tal ecoball não acho que funcione muito, mas tem quem aprove (https://www.youtube.com/watch?v=VWflBMq2e24). Bicarbonato, água fervendo (para roupas de cama), vinagre, enzimas, vou experimentando mas ainda não cheguei na fórmula perfeita e aceito sugestões.

 Começo pelas roupas mais claras e dá para reaproveitar a água para as próximas lavagens. Manchas e partes mais sujas são esfregadas com sabão de coco em barra. Com cerca de 50 litros lava-se um montão de roupa (o ciclo das máquinas consome mais de 100, se não me engano).  Aí nas fotos você vê: 2 fronhas, 2 lençóis de casal, 1 toalha de banho, 1 toalha de rosto, 4 camisetas, 3 bermudas, 1 calça, 11 peças íntimas.

100% da água que sobra misturo com outras águas utilizadas na cozinha (vale tudo que não tenha gordura ou muito sal), às vezes chorume e enzimas,  e rego as plantas.

Além disso a lavação é um ótimo pretexto para tomar banho de sol no jardim. Veja o passo-a-passo (e desculpe a desorganização das fotos, esse wordpress tem mil bugs na hora de mexer com imagem).

Antes de ir para o tanque, duas dicas: o post da Neide Rigo que menciona suas experiências incríveis na lavandeira (http://come-se.blogspot.com.br/2014/10/como-manter-sua-horta-e-seu-jardim.html) e esse projeto no Peru que leva soluções de baixo custo a comunidades carentes (https://www.youtube.com/watch?v=YdXaL9DlEqs).

Primeiro é pegar o material (bacias, sabão, ecoball, cadeira furadinha, balde de água recolhida no chuveiro, saco de roupa)

Aí é separar pelas cores (brancas, claras e escuras), deixando a roupa de cama para ser lavada antes.

Coloquei cada lençol numa bacia com 10 litros de água e 2 colheres de sabão. Ficam de molho no sol para ajudar no branqueamento. No inverno, uso água fervente.

O lençol escorre na cadeira furadinha que era do escritório e agora virou da lavanderia. Junto as duas águas numa bacia só e coloco as roupas claras.

 

Os lençóis vão coarar na grama e lembro da infância, quando minha mãe e avó faziam isso no quintal.

 

Enquanto isso, esfrego os locais onde a sujeira aparece nas roupas claras com o sabão de coco em pedra. De chapéu que o sol está forte.

 

Os lençóis voltaram e estão enxaguando em 20 litros de água novinha, as roupas claras escorrem e as coloridas vão para a bacia com água e sabão.

 

Antes de enxaguar as roupas claras passo na centrífuga para ajudar a retirar o sabão.

 

Chegou a vez de esfregar as roupas coloridas. É hora da dança das cadeiras.

 

As roupas vão passando de uma bacia para outra e antes de mudarem de estágio espremo na cadeira e coloco um pouco na centrífuga.

 

O lençol já está limpo e estendido..

 

E as outras roupas vão seguindo a trilha, do enxágue, para a centrífuga e para o varal.

 

O capítulo roupas está encerrado. Agora é fazer o manejo da água.

 

Essa é a água que sobrou: o sabão praticamente sumiu e essa cor vem sobretudo dos pigmentos das roupas.

 

Junto tudo na mesma bacia, acrescento água de reuso vinda da cozinha, chorume do minhocário e enzimas (que algum outro dia explico).

Final feliz: 100% da água vai ajudar a regar as plantas!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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140. Somos os Silva,o Povo da Selva

Vamos semear novamente nossas matas ou esperar o deserto nos engolir?

Era uma vez um país gigante coberto de florestas (de onde vinha toda sua riqueza), cujo povo chamava-se predominantemente Silva (que em latim significa selva). As árvores pareciam infinitas e durante séculos forneceram muita madeira. Pouco a pouco, porém, foram sendo substituídas por tanta lavoura de açúcar e café que deu para saciar a humanidade inteira. Até que chegou o tempo de ir lá fundo no território fazer pasto, plantar milho e soja para abastecer com ração transgênica os modernos homens, porcos, bois e galinhas.

Viver no mato não era mesmo o sonho de seus habitantes. Muito por ganância, arrancaram a vegetação natural de cada cantinho para tirar mais e mais carne, cana, commodity. Além da sede de lucro, outras engrenagens moveram a máquina de moer árvore. Uma delas, o trauma atávico dos antepassados forasteiros diante da selva assustadora. Já os antepassados nativos viviam muito bem na floresta, mas não eram “civilizados” e por isso foram enxotados até das árvores genealógicas. Quando o desejo de jogar fora a identidade indígena tropical turbinou-se pelo sonho de virar cowboy do Texas ou patricinha de Beverly Hills, lá se foram de vez as árvores.

Clareiras esparsas viraram imensas regiões desmatadas cada vez mais contínuas até que…  cadê a chuva?

A vontade de progresso foi tamanha que esqueceram um detalhe: só lugares como a Suíça recebem água das montanhas nevadas. Quem abastece o Brasil é a floresta. Sem floresta, não tem rio, não tem chuva.

E agora?

 

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139. Jornalistas de roça e fogão

 

Esse é o Michael Pollan

Michael Pollan é jornalista, tem horta em casa e cozinha para a família. Eu também, eu também, eu também! Então Pollan virou meu amigo imaginário e, como está chegando ao Brasil, deve aparecer nas manchetes em breve. Aliás, o movimento das hortas comunitárias e da agroecologia em São Paulo está cheio de colegas nossos de profissão. Por que será que os jornalistas estão ficando doidos por uma enxada?

 

Que eu saiba, o ativismo culinário dos jornalistas começou com Carlo Petrini em 1986, quando a rede Mc Donald’s abriu um de seus restaurantes na Piazza di Spagna, em Roma, ponto simbólico da capital italiana. Foi a gota d’água para Petrini, que já estava muito incomodado com o sumiço do saboroso pimentão quadrado d’Asti, espécie típica do Piemonte que vinha sendo substituída por variedade híbridas sem gosto. Vieram com fast-food e ele inventou o Slow Food, movimento que hoje está em 150 países (inclusive no Brasil) e tem mais de 100 mil membros. A turma age em prol do direito ao prazer na alimentação, do respeito ao meio ambiente e aos agricultores e chegam até mesmo a salvar variedades de alimentos da extinção.

Conheci Michael Pollan em 2007, quando foi lançado “O Dilema do Onívoro”. Nosso relacionamento se aprofundou com a leitura de “Em Defesa da Comida” e de “Cooked” (que está saindo no Brasil como “Cozinhar”, título lindo!). As aventuras agropecuárias de Pollan começam na horta de casa e incluem matar frango em abatedouro artesanal, caçar javali na floresta, estagiar em fazenda orgânica, fazer queijo em mosteiro, preparar vinho, cerveja, pão… Embora nunca o tenha visto, trocamos ideias por telepatia sobre as hortaliças do quintal e as tarefas diárias de preparar refeições para a família. Pollan está chegando para a Flip, onde vai lançar o “Cooked” e em seguida passa por São Paulo. Lá vou eu com os livros debaixo do braço para a fila dos autógrafos.

Na cena paulistana das hortas comunitárias e ativismos agroecológicos, os colegas jornalistas também são muitos. A começar pela querida Tatiana Achcar, que inventou os Hortelões Urbanos, grupo do Facebook que hoje é ponto de encontro de quase 10 mil plantadores de comida (https://www.facebook.com/groups/horteloes/). Tem também o Marcio Stanzani, diretor da AAO – Associação de Agricultura Orgânica (http://aao.org.br/aao/ ). Já a coleguinha Fernanda Danelon criou o Instituto Guandu (http://institutoguandu.com/) , que faz o importante  trabalho de transformar em adubo os resíduos orgânicos de restaurantes. Mariana Belmont vive articulando com os agricultores de Parelheiros e Francine Lima criou o canal “Do Campo à Mesa” (http://canaldocampoamesa.com.br/) para mostrar as maracutaias dos produtos alimentícios industrializados.

Hoje em dia me apresento como “jornalista e agricultora urbana” e acho que as duas atividades combinam muito bem. Aliás, os mutirões das hortas comunitárias parecem reuniões de pauta com tanto colega de profissão. Não imagino por que justamente a minha categoria está entusiasmada com as enxadas, mas percebo que as atividades de plantar e cozinhar complementam perfeitamente o esforço  intelectual da escrita. Aprendi também que cultivar legumes na praça é uma boa maneira de comunicar ideias sobre o relacionamento da nossa sociedade com a alimentação, os agricultores e o meio ambiente. Só que quando estou lá brincando de camponesa nem lembro disso, já que fico muito ocupada em ser feliz.

Quer bater um papinho com o Pollan? Boa entrevista essa do jornal português Público: http://www.publico.pt/culturaipsilon/noticia/esta-a-comer-comida-verdadeira-1663742

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Dá para ser muito feliz consumindo menos.

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