Dá para ser muito feliz consumindo menos

11. Ecossistema do guarda-roupa

Ter menos roupa é uma boa opção para diminuir nosso impacto pessoal no meio ambiente. Além disso, investir em poucas e boas peças ajuda a construir um estilo personalizado de vestir.

Olho para o meu armário e vejo peças feitas de algodão, couro, metal, plástico e borracha. Cada uma delas percorreu longa trajetória até estar pronta para me vestir. Penso em gigantescas plantações de algodão irrigadas dia e noite e no petróleo sendo extraído das profundezas do mar para ser colorido e moldado em formas fashion. Em seringueiros valentes, no meio da floresta tropical, extraindo a borracha que depois vai virar um calçado moderninho.

Por trás dos produtos pelos quais nos apaixonamos nas lojas existe uma complexa teia de relações econômicas, ecológicas, sociais e até emocionais. Incontáveis horas de trabalho e muitos recursos da natureza são investidos na fabricação de roupas. Verbas de marketing astronômicas são usadas para nos fazer desejar a última moda. Muito da nossa autoestima depende do que vemos no espelho quando nos arrumamos para sair. Razões obscuras fazem com que várias peças jamais sejam usadas. E, é bom lembrar, às vezes queimamos nossas reservas financeiras para abastecer o closet com uma profusão de itens.

Você já parou para pensar na quantidade de roupas que compra para si mesmo durante um ano?

Há algum tempo tomei susto por perceber quanta coisa eu trazia para casa em doses homeopáticas naquelas irresistíveis sacolas de griffe. O que me apavorou de verdade foi notar as montanhas de roupas “seminovas” que iam embora aos primeiros sinais de qualquer desgaste. Ou porque eu, a rainha do universo do consumo, tinha enjoado de tal look.

A ficha caiu quando, numa tarde de verão, quis vestir uma calça jeans branca. E não havia nenhuma no closet, embora anos atrás eu tivesse comprado tal peça nos Estados Unidos. Ocorre que, num daqueles surtos de renovação, eu tinha mandado embora a calça. Comprei outra, bem parecida, e decidi que passaria a tomar muito cuidado com essa história de doar roupas. Até porque acho um pouco indigno despejar nas pessoas pobres as coisas que a gente não quer mais. Para fazer uma boa ação real, mais vale presentear uma criança ou adulto carente com uma roupa nova. Ou, melhor ainda, pagar bem as pessoas que trabalham para nós, de modo que elas tenham uma folguinha no orçamento e possam exercitar suas escolhas fashion por si próprias.

 Ao restringir o descarte, mudei minha relação com shoppings e estabelecimentos afins. Agora, quando compro uma roupa, sei que vou me obrigar a viver com ela longos anos. Provavelmente até o dia em que realmente a peça esteja velha, puída, quase destroçada. Claro que não uso coisas em tal estado para passear ou visitar os clientes. Mas, para ficar em casa, roupa velha é a regra. Sem muita opção de enjoar daquilo que adquiri, passei a escolher muito melhor. A ter critérios mais perenes, baseados com meu estilo e tipo físico. As modas passageiras não me interessam. Muitas vezes, acabo gastando mais para adquirir algo de boa qualidade. Mas, como estou em busca de um casamento eterno e não de uma paixão volátil, o investimento vale a pena. De forma geral, vivo feliz para sempre as peças eleitas.

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2 Comments to 11. Ecossistema do guarda-roupa

  1. Geny B. Tomanik's Gravatar Geny B. Tomanik
    27 de maio de 2010 at 19:03 | Permalink

    Olá Claudia!
    Tb tenho esta preocupação, embora o meu guarda-roupas esteja lotado, Na verdade, não sei o porquê, mas até gosto mais das roupas velhas. Parece que me identifico mais com elas, elas tem a minha cara!
    beijos,
    Geny

  2. 11 de novembro de 2014 at 7:14 | Permalink

    Gostei deste texto da Cláudia, pois me encontro nele. Quando gosto da roupa eu a uso por décadas. Uso até o puir dos tecidos. Na maioria das vezes as calças chegam a furar, coloco então um bolso de outro tecido no lugar puído. Por isto só escolho ou compro a roupa que vem ao meu encontro, que gosto muito. Tenho camisas de seda, e calças jeans de 30 anos, malha de lã de alpaca de Bariloche de 33anos… Elas cobrem a pele de meu corpo com carinho. e como são lavadas cuidadosamente à mão elas duram muito. Fotos de roupa lavadas em bacia me remetem à infância. Aqui em casa usamos balde, pois ocupam menos espaço. Não temos este lindo gramado que vejo nestas fotos. Máquina de lavar usamos uma vez ao mês, e como tem a porta frontal parece que gasta menos agua.

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