Dá para ser muito feliz consumindo menos

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Os fabricantes de celular tentam dificultar ao máximo o conserto dos aparelhos. Se a gente joga fora o produto ao menor sinal de defeito, melhor para eles e pior para o planeta.

Na semana passada, com apenas seis meses de uso, meu celular pifou. O aparelho, um dos mais simples, foi “doado” pela operadora da qual sou cliente como forma de impedir que eu mudasse para a concorrência nos próximos 12 meses. Qual a coisa mais simples a fazer numa situação dessas? Jogar fora o telefone, ir à loja da operadora, pegar outro “de graça” e assinar novamente o papel com o juramento de fidelidade à empresa por mais um ano. Isso tomaria meia hora do meu tempo e ainda me garantiria um telefoninho brilhando de novo.

Acontece que, do ponto de vista do meio ambiente, a história não é nada simples, rápida, prática ou indolor. Se os celulares estão cada vez mais leves e pequenos, os problemas ambientais que causam se tornam a cada dia maiores e mais pesados. A consultoria inglesa Informa Telecoms & Media calcula que, em dezembro passado, tenhamos atingido a incrível marca de 4 bilhões de linhas de celulares em uso no planeta. Estimativas da empresa norte-americana ReCelllular, líder mundial na reciclagem desses equipamentos, indicam que 40 mil celulares são jogados fora todos os dias apenas nos Estados Unidos, acumulando 150 milhões por ano. Somente uma pequena parte dos aparelhos é reciclada (cerca de 6% em 2007, diz a ReCellular).

No Brasil, o número de celulares em operação chegou a 157,5 milhões em junho de 2009, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). E não existem estatísticas oficiais sobre o destino dos aparelhos usados. Às vezes ficam esquecidos numa gaveta. Em alguns casos são vendidos ou trocados na compra do aparelho novo ou vão para as caixas de coleta que algumas lojas têm. Mas grande parte é jogada mesmo no lixo comum e acaba nos aterros sanitários poluindo a natureza por séculos com seus ingredientes supertóxicos como mercúrio, chumbo e cádmio.

Com essas informações na cabeça, não consegui simplesmente jogar fora meu celular. Procurei o fabricante (LG) e soube que existem apenas quatro locais numa cidade gigante como São Paulo onde eu poderia levá-lo para o conserto. Nenhuma deles perto da minha casa. Então, esperei quatro dias até conseguir uma brecha na agenda, peguei a nota fiscal e lá fui eu para o hospital dos eletrônicos. Como imaginava, não havia fila, já que é tão mais fácil jogar fora e arranjar um novo. Deixei lá o aparelho, que estava na garantia, e fui informada que dali a sete dias úteis (!) eles entrariam em contato para informar se o conserto foi bem sucedido. Ainda estou nessa fase de espera e em breve vou fazer nova peregrinação pelo trânsito paulista para buscar meu telefoninho. Enquanto isso, já avisei familiares, amigos e clientes que tirei férias do fantástico mundo da telefonia móvel. 

O lado bom? Minha querida irmã, Malu, compadeceu-se da situação e me trouxe um celular velho que estava encostado. Até ensinou a instalar meu chip nele. Por algum mistério da dimensão eletrônica, no entanto, não funcionou. Mas a atitude fofa da Malu já valeu muito mais do que a comodidade de ser interrompida pelo toque do celular a qualquer hora durante a próxima semana.

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1 Comment to 13. Deixe sua mensagem após o bip

  1. barbara's Gravatar barbara
    4 de julho de 2016 at 16:40 | Permalink

    Ola Claudia
    Gosto muito de suas iniciativas.
    Fiquei curiosa em saber se deu certo o concerto do celular na época e, se sim, quanto tempo ainda durou.
    bj

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