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20. Reciclando problemas

Sabia que muitas vezes o caminhão da coleta seletiva de lixo leva para o aterro comum toda a sucata que você limpou e separou?

A coleta seletiva de lixo está em quase toda parte hoje em dia. Escolas, clubes, hotéis e locais públicos ostentam os vários recipientes coloridos para papel, plástico, metal, vidro e resíduo orgânico. Alguns supermercados recebem a sucata e, aos poucos, ampliam-se as rotas dos caminhões de lixo escalados para recolher os recicláveis. Os cidadãos ecologicamente conscientes se esforçam para separar e limpar embalagens & cia, enviando corretamente para a rede de coleta, que inclui também as cooperativas de catadores.

Lendo o parágrafo acima parece que está tudo resolvido em relação ao lixo, não é? Mas tenho colecionado reportagens sobre o assunto e descobri que, infelizmente, a realidade da reciclagem é bem mais suja do que parece, pelo menos na capital paulista, onde moro. Se quiser mergulhar no assunto, pesquise as edições de O Estado de São Paulo em 13/2/2009 e 15/05/2010, Veja São Paulo em 5/8/2010, Folha de São Paulo em 27/1/2010 e Revista da Folha em 28/2/2010.

Para começar, estamos transformando em lixo aquilo que deveria repor a fertilidade da terra. Explico: 60% do lixo doméstico gerado em São Paulo é orgânico (incluindo podas do jardim) e poderia se transformar em adubo, caso fosse para a compostagem. Só que não existem composteiras públicas e não há incentivo algum para as pessoas fazerem a compostagem em suas casas ou condomínios. Muita gente, aliás, nem sabe o que é isso. Então esse material organicamente valioso vai para o aterro, onde se mistura a todo tipo de detrito, incluindo resíduos tóxicos.

Já a eficiência da coleta seletiva oficial deixa muito a desejar. Aqui, na maior cidade do país, o sistema recolhe 140 toneladas diárias de sucata. Só que pelo menos 35% disso é desperdiçado e acaba indo para o aterro. O pessoal que trabalha nos centros de triagem das cooperativas tem que desprezar as sucatas em mau estado e as que não encontram comprador, como muitas vezes ocorre, por exemplo, com as embalagens plásticas do tipo que é utilizado em cosméticos, o isopor e os papéis metalizados. Pior ainda é quando o caminhão “seletivo” está muito cheio e compactado, o que complica a separação de materiais. Aí a equipe da limpeza pública simplesmente muda o caminho e despeja no lixão todo o conteúdo da caçamba.

Mesmo os itens mais fáceis de vender (como papel, latas de alumínio e garrafas PET) tiveram o preço reduzido nos últimos anos devido à crise econômica mundial. Muitos catadores abandonaram a atividade por não conseguirem mais se sustentar e existem até prédios que estão desistindo de promover a reciclagem.

No final, apenas 1,1% de todo o lixo de São Paulo acaba sendo reciclado. O resto morre no aterro. E isso é outro problemão, pois no mundo inteiro há cada vez menos espaço para colocar os detritos. Se continuarmos assim, um dia nossa civilização será soterrada pelo tsunami do lixo. Mas nós podemos evitar o apocalipse da sujeira e já existem muitas soluções bacanas para deixarmos um mundo mais limpo para os nossos filhos.

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2 Comments to 20. Reciclando problemas

  1. Priscila Nahum's Gravatar Priscila Nahum
    18 de maio de 2010 at 17:08 | Permalink

    Aqui no meu bairro existe a coleta seletiva há muito tempo. Como vc descreve, tenho o cuidado de embalar vidros quebrados, lavar as embalagens usadas com alimentos, “passar uma água” nas que contem produtos de limpeza, etc.
    Mas lendo este post me senti uma idiota fazendo tudo isso, pq ao meu ver este lixo era totalmente reciclado pela empresa que a recolhe. Não pensei que parte dele fosse parar num lixão comum! É um absurdo!
    Entretanto, nem por isso vou deixar de fazê-lo, pq ainda acho que de alguma forma estou ajudando.

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