Dá para ser muito feliz consumindo menos

27. Eco-Sessão da Tarde

De onde vêm e para onde vão as coisas que consumimos? Quais as relações entre os produtos que compramos e a exclusão social, o lixo, o desperdício, a contaminação química, o mercado de trabalho e as migrações?

Um curta-metragem, disponível na internet, mostra algumas realidades bem complicadas de forma direta e clara. A dica é da amiga Geny Tomanik.

THE STORY OF STUFF (produção norte-americana de 2007)
www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E&NR=1

Como o filme enfoca o lado ético das questões ambientais, lembrei das reflexões do filósofo Mario Sergio Cortella, durante uma palestra realizada pela OPS Vera Cruz em 2007. Aí vai o que ele disse:
“A ética é a capacidade de cuidar da vida e de suas múltiplas possibilidades. O melhor meio de conversar sobre ética com jovens é lembrar que a palavra ética vem de Ethos, em grego, que significa a morada do homem, o lugar em que nós nos cuidamos. Você já imaginou se, na sua casa, onde vivem cinco pessoas, alguns comessem e outros não, alguns tivessem socorro médico e outros não, alguns trabalhassem e outros não? Pois é isto que acontece no mundo.

Vou contar uma história que está no meu livro “Qual é a tua Obra?”. Em 1974, dois caciques da nação Xavante vieram visitar a cidade de São Paulo. E fui encarregado de recebê-los. Há 33 anos, os xavantes não usavam dinheiro — e sim comida acumulada — para medir a riqueza. Levamos eles na Avenida Paulista e ficaram boquiabertos com as catedrais financeiras. Acharam São Paulo uma cidade muito rica. Levamos ao shopping e eles não entenderam por que nós tínhamos um lugar fechado com tantos espelhos. Eles não tinham entendido o que significava o narcisismo. Um dia, fomos ao Mercado Municipal. Se, para nós, o Mercadão é encantador, imagina para um xavante que mede a qualidade de vida pelo acúmulo de alimento. Eles ficaram com o mesmo olhar que ficaríamos se entrássemos dentro de um cofre de banco. De repente, um deles viu algo que nenhum de nós veria, e talvez nossos filhos também não. Ele falou: “O que ele está fazendo?”. E nós: “Ele quem?”

O cacique apontou para o chão, onde estava um menino pobre, negro, pegando um saquinho plástico e colocando comida estragada dentro. Nenhum de nós veria isto porque para nós isto é normal. Ele perguntou por que o menino estava fazendo aquilo e não conseguiu entender por que a criança estava pegando comida estragada do chão, se havia pilhas e pilhas de comida boa. Nós falamos: “Sabe o que é, é que para pegar destas pilhas precisa ter dinheiro.” Foi quando eles pediram para ir embora, não só do Mercadão, mas de São Paulo.

Se eles tivessem sido criados em uma de nossas famílias, estudado em uma de nossas escolas, freqüentado uma de nossas igrejas, assistido a um de nossos meios de comunicação iriam achar aquela cena normal. E somos nós que os chamamos de selvagens…”

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Dá para ser muito feliz consumindo menos.

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