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50. Plantei pimentão na mochila

Olha aí o vasochila!

Olha aí o vasochila!

Micro-agricultora urbana iniciante com diversos problemas em sua horta resolve transformar em vaso a mochila que a acompanhou durante vários anos.

 

Fazer horta na cidade é um projeto com diversos complicadores. Para começar, as plantas precisam de bastante espaço e sol, artigos raros na metrópole. Soma-se a isso a falta de experiência rural de urbanóides como eu, a ausência de outros micro-lavradores com quem trocar experiências, a dificuldade de encontrar equipamentos e boas sementes.  Aí vêm as agruras milenares da vida de todo camponês: pulgões, fungos, lagartas e outras pragas, passarinhos que caçam minhocas e pisoteiam mudas, sem falar em secas, tempestades de granizo & cia.

Acontece que é tão bom colher a salada no quintal minutos antes de sentar à mesa que não pretendo desistir. Sem um terreno com perfeitas condições para a agricultura, tento dia após dia descobrir como melhorar a produção. Estou nessa há dois anos e já aprendi bastante. Mas ainda engatinho.

Vamos aos fatos: aqui em casa, o terraço do andar de cima recebe muita luz mas ali os canteiros são estreitos demais para a maioria das hortaliças. Por razões arquitetônicas, a laje não suportaria o peso de vasos imensos naquele local. Então, nada de brócolis, couve-flor, abobrinha e berinjela. Essa turma precisa mais espaço para esticar suas raízes do que eu posso oferecer, pelo menos por enquanto. Onde dá para plantar direto na terra (o que é bem melhor), faz muita sombra. O único espaço de chão com boa luz está ocupado pelo gramadinho onde meu filho joga futebol. Pena que as verduras não têm vocação para goleiro…

Ousei colocar algumas mudas de tomate, pimentão e couve na lateral do campinho. Rolou uma pelada no domingão e várias delas foram a nocaute. Outras estão contundidas, como um pé de pimentão que é meu xodó. Ele já tem 60 cm de altura e estava com cerca de 10 frutinhos (sobraram uns 3). Curiosamente, as irmãs gêmeas dessa planta, que foram semeadas no mesmo dia e moram no tal canteiro estreito, estão com metade da estatura e pouquíssimos pimentõezinhos em gestação. Torço para que meu pimentãozeiro preferido se recupere e possamos devorar sua safra em breve.

Enquanto isso — e como não quero atrapalhar os próximos FlaXFlus domésticos — ontem resolvi fazer uma nova experiência no capítulo pimentões. Plantei uma daquelas mudas gêmeas do xodó numa mochila recém-aposentada. Isso mesmo: transformei num vaso minha companheira de anos, que já tinha sido remendada diversas vezes antes de entregar definitivamente os pontos. Essa ideia eu tirei da permacultura, uma filosofia de vida muito legal (http://pt.wikipedia.org/wiki/Permacultura). Seus princípios incluem consumir o mínimo, reutilizar ao máximo e fazer de tudo para não mandar coisas para o lixo. A permacultura é assunto para um próximo post. Por enquanto, fico feliz olhando o pé de pimentão verdinho ocupando a mochila que me acompanhou durante tanto tempo e que não mereceria ir parar no aterro ou ficar mofando num canto do armário.

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1 Comment to 50. Plantei pimentão na mochila

  1. Fernanda's Gravatar Fernanda
    10 de novembro de 2010 at 13:39 | Permalink

    Oi Cláudia,
    sou uma agricultora urbana, como vc, vamos trocar figurinhas. Tb tenho uma hortinha em casa q está indo bem, mais por sorte do q outra coisa (a ignorância opera milagres). Mas tenho uma consultora, minha irmã Ana, que é agrônoma e coordena um projeto lindo de agricultura urbana em Pindamonhangaba, chamado Agroquintais – a idéia é apoiar e estimular a cultura das hortas caseiras, bem como a recuperação de espécies nativas. Ela está procurando novas parcerias para tocar este projeto e tb está querendo abrir uma nova frente: projetos de sustentabilidade para as indústrias do pedaço. Li sobre o novo enfoque da sua empresa e quem sabe sai um suco daí? Vou passar seu contato pra ela, tá? bj, Fe

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