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51. A macaca Jane

Apresento minha ídola: a primatologista Jane Goodall.

Fotos dos nossos primos chipanzés e gorilas, sobretudo em situações sociais, me fascinam. Várias delas estão grudadas na parede ao lado do computador onde batuco essas letrinhas. Tenho predileção pelas imagens de mães segurando bebês e de grupinhos reunidos. As expressões e a linguagem corporal dos macacos é tão familiar que dá quase para perceber o que estão pensando e sobre o que conversam.

Conheci Jane Goodall por causa de um retrato seu ao lado de um chipanzé. “Na Montanha dos Gorilas” (filme com Sigourney Weaver no papel de Dian Fossey, colega cientista de Jane que estudava e defendia gorilas e, em 1985, foi assassinada por caçadores em Ruanda  - http://www.adorocinema.com/filmes/nas-montanhas-dos-gorilas/ ) me emocionou bastante.  Então, tinha muito interesse pelo trabalho da britânica Jane, mas quase nada sabia sobre ela.

Olhando a programação da Mostra de Cinema de São Paulo descobri o documentário alemão “Jane’s Journey”. Foi assim que Dame Goodall (ela foi condecorada pela rainha) se tornou definitivamente minha ídola.  E estou bem acompanhada, já que Angelina Jolie e Pierce Brosnan também são fãs.

Jane nasceu em 1934 e ainda na infância, inspirada pelas histórias de Tarzan, decidiu que iria morar com os animais selvagens na África. Sua mãe nunca a ridicularizou e mudou-se com ela para a floresta quando surgiu a oportunidade de fazer pesquisas de campo para o arqueólogo Louis Leakley.  Minha heroína tinha vinte e poucos anos e seu endereço passou a ser Gombe, na Tanzânia. Aos poucos, conseguiu se aproximar dos chipanzés e mostrou ao mundo que a fronteira entre o homo sapiens e os demais primatas era bem mais tênue do que se imaginava. Entre muitas outras descobertas, um dia Jane flagrou os chipanzés transformando galhos finos em varas para capturar insetos. Até aquele momento, a ciência dizia que apenas nós seríamos capazes de fabricar ferramentas. Ao contar a novidade a seu mentor, Leakley respondeu por carta: “Agora precisaremos redefinir ferramenta, redefinir homem ou aceitar os chipanzés como parte da espécie humana”.

Até 1986 Jane viveu muito feliz no mundo selvagem. Casou-se duas vezes, teve um filho e não pretendia de forma alguma voltar ao que chamamos de civilização. Mas aí houve um congresso internacional de primatologistas em que todos relatavam o perigo de extinção das espécies que estudavam pela caça ou devastação do meio ambiente. Ela decidiu que precisava ajudar a salvar o mundo.

Assim nasceram o Jane Goodall Institute (http://www.janegoodall.org  ) e o programa Roots & Shoots (http://www.rootsandshoots.org/ ), que organiza grupos de jovens ativistas em mais de 100 países. Aos 76 anos, Jane passa quase todo o tempo em aviões e metrópoles (que detesta), fazendo palestras e visitando projetos socioambientais. Em 2002, foi condecorada pela ONU como Mensageira da Paz.  Com a profunda consciência de que nada adianta tentar preservar a natureza sem melhorar a vida das pessoas miseráveis, até restaurante comunitário em campo de refugiados africanos já ajudou a instalar. 

Quando eu crescer, quero ser pelo menos um pouquinho parecida com ela.

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