Dá para ser muito feliz consumindo menos

67. Existe plástico verde?

Indústrias de refrigerante disputam na mídia para ver quem tem a garrafa PET mais “ecológica”. Não pensam em oferecer seus produtos em embalagens retornáveis.

Uma matéria do Estadão de 30/3 conseguiu dar nó em meus neurônios. A seção Planeta veio com a manchete “Empresas usam resíduos agrícolas para produzir PET”  (http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110330/not_imp699160,0.php) e ali me atolei numa barafunda de conceitos químicos duvidosos. Vamos aos fatos:

- Pepsico anuncia que conseguiu produzir garrafa PET usando 100% de matéria prima vegetal, mas não apresenta patente ou fornece maiores detalhes técnicos, além de recusar entrevista sobre o assunto;

- A mesma empresa diz que a tal garrafa ecológica chegará ao mercado experimentalmente em 2012, sem especificar em que canto do planeta e qual a abrangência da inovação em termos de porcentagem de seus produtos;

- Auri Marçon, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET, afirma ao jornal: “É preciso ter cuidado para fazer propaganda de uma coisa que ainda não está na mão”. O próprio Auri (que representa a indústria e portanto está longe de ser um ecoxiita) se surpreende com a insustentabilidade da “plant bottle” produzida pela rival Coca Cola. Ele explica que o bagaço da cana usado para fazer o PET é transportado do Brasil para a Índia, onde fica a fábrica, e, depois que a resina está pronta, o material dá outra volta ao mundo para chegar à fábrica brasileira de embalagem. No transporte, obviamente, toneladas de gases do efeito estufa são lançadas na atmosfera.

Quando eu era criança, tomava refrigerante (apenas nos finais de semana) em garrafas de vidro retornáveis. Elas não geravam lixo, não rodavam o planeta nem demandavam muita energia e ou esquemas mirabolantes para serem recolhidas, lavadas e novamente preenchidas antes de voltar à prateleira do supermercado. Por que será que fabricantes de bebidas não optam por esse caminho retrô, já que dizem estar tão preocupados com a sustentabilidade?

Desconfio que a disputa entre Pepsico e Coca-Cola é só para ver quem consegue parecer mais sustentável na mídia. Ou seja, um campeonato de greenwashing. Provavelmente, o objetivo é aplacar culpas ambientais dos consumidores para que eles possam beber mais e mais refrigerante em embalagem descartável. Sempre bom lembrar que abusar desse produto não faz mal só para o meio ambiente. A saúde também sai perdendo.

Esse excelente post do blog O Tao do Consumo explica detalhes técnicos do “plástico verde”: http://www.otaodoconsumo.com.br/voce-e-o-que-come-na-embalagem-que-consome/o-nome-e-diferente-mas-o-plastico-e-o-mesmo 

 

 

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