Dá para ser muito feliz consumindo menos

7. Vida plastificada

As sacolas plásticas talvez sejam a maior praga do nosso tempo. Tímidas iniciativas de reduzir o seu uso estão por aí mas, se continuarmos no ritmo atual, vamos acarpetar o Brasil de plásticos.

Nunca me passou pela cabeça que algum dia sentiria falta das aulas de química orgânica que cabulei no colegial. Mas foi exatamente o que aconteceu quando resolvi pesquisar na internet por que as sacolinhas plásticas se tornaram inimigas do meio ambiente. Cavando entre expressões como “cadeias de carbono” e “petro-polímeros”, descobri que o primeiro plástico sintético foi patenteado em 1855 pelo inglês Alexander Parkes. E logo soube que provavelmente as obras de Mr. Parkes ainda devem estar inteirinhas por aí, já que o prazo estimado para que esse tipo de material se desfaça é de no mínimo 200 anos. Alguns sites chegam a falar em vestígios que duram mais de mil anos. A minha dúvida é: como eles sabem isso, já que, desde a invenção da tal coisa, ainda não se passaram nem dois séculos?

A triste realidade é que não só os diamantes são eternos e as sacolas plásticas protagonizam um verdadeiro filme de terror:

  • Calcula-se que entre 500 milhões e um trilhão delas são fabricadas todos os anos no mundo;
  • Menos de 1% dos sacos é reciclado, por uma simples questão matemática: uma tonelada do produto é vendida por cerca de 32 dólares e, para reciclar a mesma quantidade, o custo é centenas de vezes maior;
  • Os oceanos já estão contaminados com cerca de 46 mil sacos plásticos por milha quadrada, responsáveis pela morte por asfixia de grande quantidade de animais marinhos.

Se eu já tinha alergia aos tais saquinhos, esse banho de informação me deixou à beira do pânico. Há mais de 10 anos costumo recusar sacos plásticos em lojas. No supermercado, pego as frutas uma a uma e levo para pesar sem embrulhar. Depois as compras viajam até a despensa em velhas sacolas de lona.

Só que os saquinhos estão vencendo a guerra e continuam brotando em todos os cantos. Praticamente tudo o que entra em casa vem compulsoriamente plastificado. Jornais, revistas, pão de forma, presentes de aniversário e até os vegetais da cesta orgânica! Nenhum deles é jogado fora sem antes ser utilizado. Os grandes embalam a sucata destinada ao caminhão da coleta seletiva. Os pequenos viram lixo de banheiro ou guardam peças dos brinquedos das crianças. Com eles recolho o cocô do meu cão, Nino. Também forneço saquinhos para passeadores de cachorro fazerem o mesmo por seus clientes. E o estoque nunca acaba…

Sinceramente, não sei o que acontecerá se a invasão das sacolinhas não for contida. O governo de Bangladesh, depois de enchentes devastadoras devido ao entupimento da rede de esgotos por sacos plásticos, decidiu bani-los. Na China, a distribuição gratuita de sacolinhas pelo comércio já foi proibida, assim como na cidade de São Francisco. A Irlanda criou um imposto sobre essa praga e seu consumo caiu 90%.

E nós, o que estamos esperando para fazer alguma coisa e evitar que nossos filhos recebam de herança um mundo forrado de sacolas plásticas?

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