Dá para ser muito feliz consumindo menos

120. Não jogamos nada fora. Não existe fora.

Sou inconformada com a existência do lixo. Acho absurdo que quase todas as coisas que nos circundam sejam encaminhadas mais cedo ou mais tarde para uma grande e escondida montanha (ou vala) de materiais sujos e misturados.

O tema resíduos, além de irritar e angustiar, aciona meus sensores cerebrais em busca de soluções. Cuidar do lixo se tornou um dos meus hobbies favoritos. Dedico muitas horas a esse tema, seja compostando as sobras orgânicas, fazendo curadoria dos mais ínfimos objetos para torná-los atrativos e úteis, participando de feira de trocas ou simplesmente deixando de comprar.

Não bebo água mineral (levo minha garrafinha com água do filtro para todos os lugares). Abandonei quase completamente os cosméticos e os produtos de limpeza industrializados por não suportar aquelas embalagens que se multiplicam infinitamente. Com um pedaço de sabão de coco e uma folha de babosa (aloe vera) que planto no quintal resolvo a questão sabonete, xampu, condicionador, hidratante. Com o limpa-tudo que aprendi a fazer (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/115-limpeza-geral/) e o Auxi (versão concentrada do Biowash, limpador orgânico ­ http://biowash.com.br/linhas/linha-auxi-39) equaciono a limpeza anual com apenas 3 embalagens de plástico mais alguns sacos de sabão de coco em pó, fracos de álcool e de vinagre. Troquei o filtro solar por chapéu e camiseta. Penso mil vezes e tento arranjar doação antes de adquirir eletrônicos. Virei cliente e fã da empresa Alimento Sustentável (http://www.alimentosustentavel.com.br/) , que recebe vidros com tampas usados de quem quiser oferecer para embalar a comida orgânica deliciosa que vende. De tempos em tempos, devolvo para a contadora os clipes de papel que recebo de seu escritório. Recolho da rua folhas secas (para a horta) e objetos que os vizinhos jogam fora e têm potencial para virar recipientes de plantas. Aliás, trapos são ótimos para substituir as mantas de drenagem nos vasos.

Mesmo assim, os resíduos continuam a me assombrar. O escritório de casa virou um depósito permanente de garrafas de vidro vazias, plásticos em geral, papéis (usados dos dois lados) e embalagens de papelão.  Limpo, separo a sucata e vou juntando até o dia de levar no muque para a Coopamare (Cooperativa de Catadores – http://www.catasampa.org/cooperativas.php?id_coo=15) e recomeçar o armazenamento. Não pense que saio da cooperativa com a consciência tranqüila e me sentindo quites com o meio ambiente. Ao contrário, perceber que não consegui reutilização para tanto material me deixa frustrada. E, apesar do trabalho heroico dos catadores, as grandes quantidades de resíduos no pátio da cooperativa são a imagem de um sistema prestes a enfartar por não conseguir gerir tanto produto feito para o descarte.

No meu dicionário, reciclagem não é sinônimo de ecologia. É apenas redução de danos. Ninguém me convence que transportar, derreter e refazer uma garrafa de cerveja causa menos impacto do que simplesmente lavar, reenvasar e recolocar no mercado.  Era assim que se fazia antigamente e as garrafas podiam durar várias décadas vivendo de bar em bar. Quanto ao papel, se usássemos tinta de origem vegetal e abandonássemos vernizes e outros químicos poluentes, bastava jogar na terra para virar adubo. Para fechar a turma da coleta seletiva, no meu mundo ideal plástico e alumínio jamais chegariam perto de alimentos e teriam usos muito restritos.

Nesse atual momento histórico brasileiro, vem de cima (governo federal) a obrigação de implantar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm). Para as prefeituras a lei está chegando espinhosa e difícil de cumprir. Já as empresas não se mostram dispostas a rever radicalmente o uso de embalagens descartáveis e iniciar uma transição para o lixo zero, conceito tão aclamado quanto ignorado na prática. E a grande maioria dos cidadãos ignora/finge ignorar o tema ou joga a culpa “neles”, os políticos. Só que nesse caso a culpa é muito mais dos empresários.

Para aprofundar o tema lixo – ou gestão de resíduos sólidos, se preferir — existem toneladas de livros, gigabilhões de bites na internet e centenas de congressos pipocando pelo planeta. Acho importante pesquisar e estudar o assunto. Mas eu estou bem cansada de tanta falação e pouca atitude. Quem quiser montar um Movimento Antilixo, com ações práticas, pode me convidar que estou dentro.

OUTROS POSTS SOBRE LIXO NESSE BLOG

  • Mais vale reduzir e reutilizar  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/21-mais-vale-reduzir-reutilizar/
  • A próxima revolução industrial  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/85-prxima-revoluo-industrial/
  • Para onde mando meu lixo?  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/52-para-onde-mando-meu-lixo/
  • A desinvenção do lixo  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/38-desinveno-lixo/
  • Embalagem Zero  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/60-embalagem/
  • A polêmica das sacolinhas  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/103-polmica-das-sacolinhas/
  • Existe plástico verde?  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/67-existe-plstico-verde/
  • O mundo não precisa de mais garrafas PET  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/36-mundo-precisa-de-mais-garrafas-pet/
  • De-com-po-si-ção  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/62-decomposio/
  • Minhocologia Avançada  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/112-minhocologia-avanada/
  • As coisas têm conserto  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/46-coisas-tm-conserto/
  • Sem isopor, por favor!  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/77-sem-isopor-por-favor/
  • Bumbum com pano  http://conectarcomunicacao.com.br/blog/94-bumbum-pano/

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118. Que tal ser um conselheiro do meio ambiente?

Sabia que existem conselhos de meio ambiente em todas as subprefeituras da cidade de São Paulo? E que esses conselhos são compostos por cidadãos eleitos por voto direto, com mandato de dois anos? E que qualquer pessoa pode assistir às reuniões mensais dos conselhos? E que qualquer pessoa pode se candidatar a conselheiro? E que o nome oficial disso é Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, mas todo mundo conhece pela sigla CADES?

Até 2011, eu não sabia nada disso. Mas, quando descobri que existe um órgão legítimo de participação popular para assuntos ligados ao meio ambiente em minha cidade, resolvi acompanhar de perto. E passei a frequentar as reuniões mensais do Cades Pinheiros (região onde moro). No começo, foi estranho entrar no prédio da subprefeitura, sem conhecer ninguém. Mas o incrível é que não estranharam a minha presença. E logo percebi que o absurdo era uma pessoa como eu (que se diz interessada em ecologia e soluções locais) ter demorado tanto a encontrar o Cades.

Bom, como ainda existem por aí muitos outros paulistanos dispostos a tornar a cidade mais verde e mais sustentável que ainda não conhecem o Cades, resolvi espalhar a notícia. Então, o objetivo desse post é avisar quando serão as próximas eleições dos Cades regionais (das subprefeituras), o que precisa fazer para votar e para se candidatar. Existe também o Cades Municipal, que se debruça sobre os desafios ambientais de toda a cidade. Ainda não o conheço e, quando descobrir como funciona, pode deixar que aviso.

Minha amiga Madalena Buzzo, que é conselheira do Cades Pinheiros explica a importância desse órgão: “Participando do Cades comecei a entender como é possível trabalhar em parceria com o poder público para tornar a cidade melhor e como a atuação popular pode ser mais efetiva”. E então, vamos lá?

Datas das eleições - Como os conselhos foram criados em épocas diferentes, o vencimento dos mandatos varia de subprefeitura para subprefeitura. No final do post, a lista com os meses em que ocorrerão as próximas eleições. Para saber as datas específicas é preciso entrar em contato com cada subprefeitura.

Para votar – É preciso ter mais de 16 anos e comparecer à subprefeitura no dia da eleição com o documento de identidade e um comprovante de que mora ou trabalha na região.

Para se candidatar – É preciso ter mais de 18 anos e, até um mês antes da data da eleição, apresentar na subprefeitura o documento de identidade, o comprovante de que mora ou trabalha na região, uma foto e uma carta formalizando o pedido de candidatura. Recomenda-se entrar em contato antes para confirmar essas orientações, que podem variar um pouco de uma subprefeitura para outra.

Para saber mais - Dê uma olhada na Lei 14887-2009 (artigos 29 e de 51 a 55), que regulamentam os Cades. (http://www.leismunicipais.com.br/legislacao-de-sao-paulo/709780/lei-14887-2009-sao-paulo-sp.html)

É trabalho voluntário! - Os conselheiros não recebem remuneração ou privilégio de espécie alguma. A obrigação básica é comparecer às reuniões mensais, que são agendadas de acordo com a disponibilidade comum do grupo.

E as outras cidades? De acordo com Rute Rute Cremonini de Melo, que atua na prefeitura de São Paulo coordenando o CADES Municipal e acompanhando as atividades do Cades regionais, a existência desses conselhos de cidadãos é um dos pré-requisitos para a participação no Sisnama (Sistema Nacional de Meio Ambiente) do Ministério do Meio Ambiente. Por esse motivo, muitos outros municípios devem contar com órgãos semelhantes. Mais de 2 mil cidades brasileiras têm Secretaria do Meio Ambiente e é lá que podem ser encontradas as informações.

 

CALENDÁRIO DE ELEIÇÕES DO CADES

Região Centro-Oeste

Butantã: Fevereiro/2013

Ipiranga: Fevereiro/2013

Sé: Março/2013

Pinheiros: Abril/2013

Lapa: Julho/2013

Vila Mariana: Agosto/2013

Mooca: Agosto/2013

Região Leste

Guaianases: Janeiro/2013

Itaim Paulista: Fevereiro/2013

São Miguel Paulista: Março/2013

Penha: Julho/2013

Aricanduva: Agosto/2013

Itaquera: Maio/2014

Vila Prudente: Maio/2014

São Mateus: Junho/2014

Ermelino Matarazzo: Setembro/2014

Cidade Tiradentes: Dezembro/2014

Região Sul

M’Boi Mirim: Fevereiro/2013

Cidade Ademar: Fevereiro/2013

Campo Limpo: Junho/2014

Jabaquara: Agosto/2014

Santo Amaro: Novembro/2014

Região Norte

Vila Maria: Fevereiro/2013

Casa Verde: Junho/2013

Jaçanã: Setembro/2013

Santana: Outubro/2013

Perus: Dezembro/2013

Pirituba: Março/2014

Freguesia/Brasilândia: Junho/2014

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117. Tem horta na Paulista!

Sabe onde é isso? Av. Paulista quase esquina da Consolação.

Sabe o que é isso? O quarto mutirão da Horta Comunitária da Praça do Ciclista (um pedacinho de terra que começamos a cultivar em 12 de outubro). Em 2/12/2012 já deu para colher manjericão e ver tomatinhos aparecendo, além de couves quase no ponto de ir para a feijoada e muitas ervas culinárias crescidas e saudáveis. Nesse encontro especial demarcamos os canteiros, plantamos novidades (como feijão), fizemos pic-nic e aproveitamos a integração com o pessoal da Parada Veg, do Slow food, do Pedal Verde, do Bike Anjo e um monte de gente independente, livre, leve e feliz que apareceu lá para mexer na terra.

O pessoal sempre pergunta: não rola depredação? Não, não rola. A horta está sendo tratada com todo carinho por nós, cidadãos dessa cidade e desse planeta. Plantar comida no canteiro central de uma das principais avenidas dessa metrópole louca é utopia? É loucura? Não, já é realidade e isso é só o começo.

Yes, we can viver uma vida diferente e mais feliz.

(Fotos de Fernanda Danelon)

Para saber mais sobre a Horta do Ciclista: http://pt.wikiversity.org/wiki/Horta_do_Ciclista 


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116. As roças de São Paulo

Plantar comida no quintal já é muito bom. Participar de uma horta coletiva em espaço público, simplesmente maravilhoso.

Desde que iniciei minha horta doméstica, há quatro anos, trabalhar a terra coletivamente em plena cidade de São Paulo virou um sonho. Eu duvidava um pouco que fosse possível e não esperava que acontecesse tão cedo. Mas já virou realidade!

Desde julho tenho o privilégio de fazer parte do grupo de voluntários da Horta das Corujas, na Vila Madalena. Está sendo uma experiência incrível, não só de aprendizado sobre plantio, mas principalmente de convivência humana. Nem é preciso mencionar os imensos problemas da metrópole, muito conhecidos por todos, mesmo por quem nunca pisou na pauliceia. Então a princípio o projeto foi visto com certa desconfiança. O terreno é contaminado? A água da nascente (que usamos para regar) está suja? As pessoas vão destruir os canteiros? Não, não e não! A prefeitura deixa? Vai aparecer alguém para ajudar no serviço pesado? Sim e sim! 

Quando eu ainda não plantava, trabalho braçal na roça me parecia algo penoso e desagradável. Não fazia ideia de que pegar na enxada podia fazer tão bem para o corpo, a alma e os relacionamentos. Sequer imaginava que a labuta na terra era tão fértil para o companheirismo e a reconexão com a natureza e o ciclo da vida. E que uma horta é um ímã de gente do bem. Mais detalhes não preciso contar porque nosso blog (www.hortadascorujas.wordpress.com) registra toda a história, desde o comecinho. Basta ler de baixo para cima.

Horta na Paulista?  Em plena avenida mais famosa da megalópole acaba de nascer a Horta do Ciclista. Fica na rotatória entre a Rua Bela Cintra e a Rua da Consolação, um espaço que os ciclistas adotaram como ponto de encontro. Ali não sou das voluntárias mais ativas, apenas participo dos mutirões de plantio em finais de semana. Algumas pessoas que trabalham na região estão se organizando para cuidar da horta no dia-a-dia e o esquema, 100% livre e 50% anárquico, funciona! Tudo na base da camaradagem e da ajuda mútua. Basta um balde (emprestado do prédio em frente) e um pouco de água para manter as plantas vivas até o próximo encontro de trabalho intensivo. Qualquer pessoa pode participar. As dicas estão nessa página wiki: https://pt.wikiversity.org/wiki/Horta_do_Ciclista.  

De novo, a desconfiança inicial foi grande. “Naquele lugar passa tanta gente, o pessoal não vai arrancar e pisotear?”, ouvimos mais de uma vez.  A resposta até agora é não. Os paulistanos estão respeitando esses projetos e, ao que parece, a cidade está preparada para muitas outras hortas coletivas. Que venham elas!

Para quem se interessa por cultivo de alimentos na cidade, mesmo que seja na varanda do apartamento, recomendo o grupo Hortelões Urbanos no Facebook (https://www.facebook.com/groups/170958626306460/).

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115. Limpeza Geral

Sempre me incomodou aquele cheirinho da faxina com produtos industrializados. Pesquisando o assunto, descobri que essas fórmulas estão cheias de ingredientes que causam alergia e outros problemas de saúde mais graves, além de poluir a água. Por isso, resolvi partir para soluções mais naturais.

No capítulo roupas, depois de abandonar o amaciante e os branqueadores, troquei o sabão em pó comum por sabão de coco em pó + sabão de coco em barra (é mais caro, mas aprendi várias técnicas para economizar na quantidade). Aliás, me tornei expert na arte de lavar roupas à mão com pouca água e pouco sabão, clareando no sol. O segredo é aquecer a água, sobretudo no caso das roupas claras, lençóis e toalhas (essa aprendi com minha mãe). Fervo algumas panelas e jogo na bacia de alumínio junto com 2 colheres de sopa de sabão em pó e mais água na temperatura ambiente. Deixo de molho 1 ou 2 horas e aí esfrego a sujeira aparente com sabão de coco em barra. Acho a atividade relaxante e as peças estão ficando incrivelmente melhor cuidadas e mais duráveis com esse tratamento natureba-vip. E a água suja vai para a rega do jardim sem problemas (só não uso na horta).

Roupas brancas são mais complicadas e fico pensando que melhor seria aderir à cor natural do algodão (cru). Com isso, a indústria deixaria de despejar no mundo toneladas de compostos tóxicos para deixar o tecido alvíssimo e, em casa, nós pararíamos com essa neura da manutenção da brancura. Uma mancha aqui outra ali às vezes é impossível tirar. Aprendi a conviver com panos de prato que apresentam algumas marcas do tempo mesmo quando limpos. A atitude faz parte do processo de trocar o perfeccionismo estético que prejudica a saúde pela realidade das coisas naturais.

Desacostumei tanto da química heavy metal que hoje fico com dor de cabeça quando entro num ambiente recém-faxinado de maneira convencional. E meus inimigos têm nome: Compostos Orgânicos Voláteis. E apelido: COVs. São ingredientes sintéticos comumente encontrados em limpadores industrializados, sem aviso no rótulo. Alguns deles têm alta toxidade e quase ninguém sabe. No post “Tempestade química em copo d’água” (http://conectarcomunicacao.com.br/blog/111-tempestade-qumica-em-copo-dgua/) mencionei alguns dados alarmantes que vale a pena repetir: “30.000 diferentes compostos químicos são colocados em todo tipo de produto. Desses, apenas 4% são analisados rotineiramente e cerca de 400 são persistentes (não se desintegram no meio ambiente). 75% nunca tiveram seus efeitos colaterais estudados. Em contato umas com as outras, essas substâncias podem potencializar mutuamente seus efeitos ou formar outras descontroladamente”.

Para fugir dos COVs e outros venenos, passei a fazer em casa meu próprio desinfetante/limpa tudo, que é ótimo para passar no chão com pano úmido, usar no vaso sanitário e limpar vidros. Aí vai a receita:

  • Pique uma boa quantidade de algum tipo de erva (pode ser citronela, capim santo, alecrim, hortelã ou o matinho da sua preferência) e coloque dentro do álcool. Depois de alguns dias o álcool fica bem verde e pega o cheiro da planta.
  • Esprema 1 ou 2 limões (dependendo do tamanho), misture com 2 copos de água, coe e coloque dentro de uma garrafa PET de2 litros.
  • Adicione 1 copo de vinagre e 1 colher de sopa bem cheia de bicarbonato de sódio.
  • Junte um copo do álcool de ervas.
  • Acrescente mais água até encher a garrafa.
  • Depois de pronto, é só guardar o limpador na sombra e diluir em água quando for usar.

Estou colecionando outras fórmulas e dicas, sempre à base do sexteto-maravilha da limpeza sem química: limão/álcool/vinagre/bicarbonato/óleo/sabão de coco. Aqui vão alguns bons links:

Dá mais trabalho limpar a casa assim? Claro que dá, sobretudo porque empregados domésticos costumam ser resistentes a alternativas mais suaves de limpadores. Com isso, tenho me envolvido pessoalmente na faxina cada vez mais, o que me faz muito bem em vários sentidos. Estou convencida de que não existe nada mais natural e eticamente correto do que limpar a própria sujeira.

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114. Menos carros e mais gente nas ruas

Em 21 e 22 de setembro (sexta e sábado) venha passar o dia em plena Avenida Paulista, curtindo um monte de atrações gratuitas engajadas/porém bacanérrimas. Acredito muito que cidades com menos automóveis são melhores para as pessoas e vale a pena brigar para chegar lá! 

No período de 16 a 22 de setembro milhares de locais pelo mundo terão eventos que chamam a atenção para a importância das cidades oferecerem transporte público decente e se tornarem mais amigáveis para pedestres e ciclistas. Já contei nesse blog como surgiu o Dia Mundial Sem Carro/Semana da Mobilidade e minhas experiências em anos anteriores. Se quiser saber mais, é só digitar “Dia Mundial Sem Carro” na ferramenta de busca aí na caixinha da direita que vão aparecer links para vários posts.

Em São Paulo, a programação 2012 está bem bacana e em breve será divulgada com mais detalhes. Dessa vez, junto com um monte de cidadãos e organizações que trabalham voluntariamente pela causa, mergulhei de cabeça no DMSC. Estou ajudando a organizar a Vaga Viva do dia 21 de setembro, sexta-feira. Trata-se de ocupar o espaço de três vagas de estacionamento durante o dia todo para sentir como seria ter as ruas de volta para nós, seres humanos. A prefeitura de São Paulo deu uma força, permitindo nosso “occupy” e estaremos na Rua Padre João Manoel, em frente ao Conjunto Nacional.

Resolvemos então fazer uma sala de estar no meio do mato em plena Avenida Paulista. Emprestamos tapetes, pufes, banquinhos, mesa e um monte de plantas e passaremos o dia batendo papo, jogando cartas, tomando um cafezinho, distribuindo mudas de árvores, recebendo amigos, estudantes e desconhecidos. É só chegar, sentar e ficar à vontade.

Essas são as atividades especiais (100% gratuitas) já agendadas:

  • 8h às 12h – CAFÉ NA FAIXA. Para sentir o conforto de atravessar a rua numa faixa de pedestres especial a ainda ganhar cafezinho de graça!
  • 10h às 11h – OFICINA DE COMPOSTAGEM com Claudio Spínola, da Morada da Floresta, que ensinará a transformar resíduos orgânicos em adubo com a utilização do sistema de minhocário
  • 12h às 13h30 – BATE-PAPO RIOS E RUAS com Luiz de Campos Jr e José Bueno. Uma conversa sobre as centenas de riachos e córregos de São Paulo que estão ocultos sob o asfalto e a importância deles na cidade onde vivemos. Em seguida, no Conjunto Nacional (próximo à entrada principal, na Paulista) haverá a montagem de um quebra-cabeças gigante (3m X 3m) que é o mapa da cidade mostrando só os rios, sem as ruas. Os participantes identificarão no quebra-cabeças os locais onde vivem e trabalham e conhecerão os córregos próximos. 
  • 13h30 – SHOW DO TRIO SINHÁ FLOR! O grupo de forró formado por Cimara Fróis, Talita Del Collado e Carol Bahiense vai animar a galera.
  • 15h– OFICINA HORTA URBANA + PROSA AGROECOLÓGICA. O pessoal da Casa Jaya, do Grupo Hortelões Urbanos e da Campanha Permamente Contra os Agrotóxicos e pela Vida vai mostrar como se monta uma horta orgânica em pequenos espaços.Até as 18 h estaremos lá. É só aparecer! E vou contando as novidades pelo Facebook (https://www.facebook.com/events/480518755306554/).

O dia seguinte, sábado, é a data real do Dia Mundial Sem Carro. Vai acontecer um eventaço na Praça do Ciclista: Praia na Paulista/Ocupe seu lugar ao sol no espaço público. https://www.facebook.com/events/418220194901104/

Se você, como eu, é um dos milhões de motoristas de São Paulo, aproveite a data para deixar o carro descansando na garagem e apareça a pé, de bike, ônibus ou metrô!

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113. Em vez de reclamar, vamos melhorar São Paulo?

Se existem mil motivos para falar mal de São Paulo, também há infinitos jeitos de dar uma contribuição para a cidade ficar melhor. Superfeliz por estar acompanhando diversas iniciativas que pretendem tornar a metrópole um lugar melhor para viver, vou compartilhar algumas delas, torcendo para que ganhem força e mais apoiadores.

 

  • Duas hortas comunitárias estão nascendo na cidade, ambas ligadas ao movimento dos Hortelões Urbanos. A primeira fica na Praça das Corujas (Vila Madalena) e já está na fase de plantio. Fizemos um blog para contar como anda o projeto www.hortadascorujas.wordpress.com e estamos recebendo voluntários de braços abertos. Os mutirões acontecem nos finais de semana. Os próximos serão em 19/8 (domingo) e 25/8 (sábado) a partir das 9h. A outra, ainda em fase de planejamento, será instalada no Centro Cultural São Paulo (Metrô Vergueiro) e também busca voluntários. Se quiser participar, mande uma mensagem para mim ou comente esse post que coloco você em contato com quem está fazendo o projeto.

 

  • Semana passada participei do Seminário “Compostagem na Cidade de São Paulo: Gestão Adequada dos Resíduos Orgânicos”. Foi na Câmara dos Vereadores, um momento histórico que marcou o início das atividades da Comissão Pró-Viabilização da Compostagem na Cidade de São Paulo. Esse grupo, integrado por representantes do poder público e da sociedade civil, está buscando maneiras de tornar a compostagem uma política pública, reduzindo muito a geração de lixo e ainda produzindo adubo orgânico de alta qualidade dentro da metrópole. Para saber mais:  http://www.moradadafloresta.org.br/artigos/compostagem-na-cidade-de-sao-paulo/618-propostas-pro-compostagem-na-cidade-de-sao-paulo

 

 

  • No sábado dia 25/8 darei o curso Hortas na Metrópole, no Quintal dos Orgânicos (Rua Fradique Coutinho, 1416, Vila Madalena). Vou falar sobre as melhores espécies de vegetais para começar o plantio doméstico, como escolher o local onde os vasos e/ou canteiros ficarão, como preparar a terra e os cuidados necessários para as plantas crescerem fortes e saudáveis. Custa R$ 60 e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail claudia@conectar.com.br.

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112. Minhocologia Avançada

Meus erros e acertos até conseguir cuidar direitinho das minhocas que transformam o lixo orgânico da minha casa em adubo.

Tenho minhocário desde 2009 e é para lá que vão as sobras da cozinha. O modelo básico, que consiste em três caixas retangulares de 60X40X20 cm, cabe em qualquer apartamento. E existem kits menores. Graças às minhocas, diminuímos muito a produção doméstica de lixo e fabricamos o húmus que aduba a horta. Elas devoram quase todo resíduo orgânico, inclusive guardanapos de papel (sem tinta), mas não podem receber alimentos de origem animal, muito gordurosos, salgados, limão, alho, cebola. O que já foi cozido e outros cítricos, apenas em quantidades mínimas.

Embora simples, o manejo do minhocário requer uma certa prática e por isso muita gente desiste. Como tempo, fui percebendo que é uma atividade parecida com cozinhar, em que tudo tem o ponto e a proporção certos. A mistura não pode ficar muito úmida nem muito seca. Os restos “apodrecíveis” precisam ficar embaixo de uma grossa camada de matéria morta (serragem grossa é a melhor opção – e lá vou eu buscar doação em serralherias).  E o ar precisa entrar, pois se o ambiente se tornar anaeróbio a mistura literalmente azeda.

Já errei bastante. No começo as minhocas quase desapareceram por excesso de matéria seca. Depois exagerei nos úmidos e ficou cheiro ruim. Até hoje, basta não cobrir direito para encher de mosquinhas de fruta. O pior foi a invasão de umas lesmas rastejantes que eu achei nojentas até descobrir num vídeo que se tratava da Black Soldier Fly (http://www.google.com.br/search?q=black+soldier+fly&hl=pt-BR&prmd=imvns&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=sF4YUNS2LJG60AGd9YC4Bg&ved=0CFUQsAQ&biw=1024&bih=641). Não são infectantes, mas deixam o composto fedido para caramba e um dia tive que jogar tudo em cima de um plástico para recolher uma por uma e acertar a mistura. Retirei mais de um quilo de lesmas, fiquei com um pouco de ânsia e vivi uma das experiências mais desafiadoras da minha vida. Mais tarde descobri que o sacrifício era desnecessário: bastaria acrescentar mais serragem e trazer um pouco de húmus de outra caixa que as lesmas desapareceriam com o tempo.

Aos poucos fui acertando a mão. A dica salvadora foi sempre deixar 2 cmde húmus no fundo ao iniciar uma nova caixa, assim as minhocas têm onde se refugiar caso haja algum desequilíbrio momentâneo no ambiente. Dizem que o ideal é encher cada recipiente em dois meses, assim dá tempo da decomposição ser total. Só que em casa completo uma caixa em dez dias, pois o volume de resíduos é grande. A solução foi “recompostar”, ou seja, usar no lugar da serragem pura o conteúdo das outras caixas enquanto os resíduos ainda não foram totalmente transformados naquela terrinha úmida e fofa que caracteriza o húmus. Isso aumentou muito a população de minhocas das caixas. E elas parecem muito felizes!

A princípio, a ideia de ter minhocas em casa e enfrentar o processo de decomposição dos resíduos orgânicos provoca uma certa aversão nos urbanóides. Comigo também foi assim. Mas rapidamente me acostumei com o minhocário e transformar lixo em adubo passou a ser uma rotina muito prazerosa. Não tenho nojo nenhum em mexer nas caixas e estou à disposição para ajudar quem está entrando para a turma da minhoca.

Algumas orientações preciosas pesquei nesse vídeo ótimo do permacultor e minhocólogo Claudio Spínola, da Morada da Floresta: http://www.youtube.com/watch?v=RITfvR3NyFw. Ele ensina até a fazer o próprio minhocário em casa.

Ótimo artigo com informações científicas sobre minhocas e agricultura aqui: http://estagiositiodosherdeiros.blogspot.com.br/2014/05/a-minhoca-na-agricultura.html?spref=fb

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111. Tempestade química em copo d’água

Sabesp envia relatório sem uma palavra sobre contaminação química enquanto pesquisador da Unicamp encontra remédios, agrotóxicos e cafeína na água de 16 capitais brasileiras. Tomei uma chuva de informações e vejam o que descobri até agora.

Há dois meses recebi pelo correio o “Relatório Anual de Qualidade da Água – 2011”. Três páginas lotadas de letras miúdas e tabelas cheias de numerinhos. Fui informada que, dos mananciais que abastecem São Paulo, a Guarapiranga está em pior condição. Ganhou a nota “Regular, com presença de esgotos domésticos”. Depois de tratar a água, a Sabesp a avalia em cinco pontos: turbidez, cor, cloro, flúor e coliformes. Quanto aos tais coliformes fecais (nome tão feio quanto seu significado), a água da Guarapiranga chega às residências com níveis por volta de 700 enquanto na melhor represa – Rio Grande – não passam de 3. Foi tudo o que consegui compreender, pois o relatório é, ao que parece, propositadamente enigmático para leigos.

Quer conferir o relatório da Sabesp com seus próprios olhos? Está aqui: http://site.sabesp.com.br/uploads/file/relatorios_qualidade_agua/Inf_Qualidade_quant_mar2012.pdf.  Quer saber qual manancial abastece a sua casa? É só digitar o CEP em http://www.mananciais.org.br/de-onde-vem-a-agua/.

Bom, se a questão dos coliformes já me incomodou, fiquei pior ainda ao descobrir a pesquisa coordenada pelo Professor Wilson Jardim, da Unicamp. Saiu na capa do Jornal da Unicamp: http://www.unicamp.br/unicamp/ju/527/pot%C3%A1vel-por%C3%A9m-contaminada?goback=%2Egde_148258_member_123438606 . Uma equipe de 25 cientistas avaliou a água ofertada em 16 capitais brasileiras colhendo amostras do cano de entrada das residências. Entre outras substâncias, encontraram vestígios de cafeína, atrazina (herbicida), fenolftaleína (laxante) e triclosan (substância presente em produtos de higiene pessoal). Ou seja, quando um manancial é contaminado por esgotos ou água proveniente de lavouras que recebem agrotóxicos, esses compostos químicos não são 100% eliminados pelo tratamento.

Essa informação não aparece no relatório da Sabesp porque agrotóxicos, remédios e substâncias químicas em geral são contaminantes não legislados. Ou seja, as normas simplesmente os ignoram e ainda não foi estabelecido um limite legal para sua presença na água. Um item que tem preocupado especialmente os pesquisadores é o hormônio feminino proveniente da urina de mulheres que tomam pílula anticoncepcional (mais detalhes aqui: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-impacto-do-filho-evitado-,889291,0.htm).

Com essa preocupação na cabeça, entrei no site da Sabesp e questionei a presença dos “contaminantes emergentes” (esse é o nome técnico). A resposta que recebi: “Prezada Senhora Claudia, em resposta à sua manifestação, informamos que o relatório da Sabesp só apresentou os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde, pois não foi constatado nenhum tipo de contaminação dos mananciais. Como esclarecimento adicional, informamos também que nenhum país controla os produtos mencionados pelo Prof Wilson Jardim, visto que ainda não foi comprovado que estes sejam tóxicos ao ser humano”.

Do alto da minha ignorância em química e biologia, achei a argumentação cientificamente incorreta. Razão nº 1: o fato desses contaminantes comprometerem a vida aquática já seria motivo suficiente para controlá-los. Não só nos alimentamos de peixes & cia como outras espécies são indicadores importantes de riscos para os seres humanos. Não é por isso que remédios e cosméticos são testados em animais? Razão nº 2: Se não há prova de que as substâncias químicas da água da Sabesp são tóxicas aos seres humanos, muito menos evidências existem de que sejam totalmente seguras. Pelo princípio da precaução, atitudes deveriam ser tomadas.

Ao que parece, um dos principais toxicologistas do mundo concorda com a minha opinião. Em 25/6 fui à Cetesb assistir à palestra do norte-americano Tracy Collier, da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), que estuda o assunto há 40 anos. Olha só o título: “Impacto na saúde humana e nos ecossistemas dos contaminantes químicos em sistemas aquáticos – avaliação e gerenciamento de riscos”.

Alguns dados interessantes que o Dr. Collier divulgou:
• Depois de casos terríveis de contaminação aquática, há cerca de 50 anos os Estados Unidos endureceram a legislação ambiental das indústrias, que passaram a ter seus efluentes controlados. O maior problema hoje é a contaminação difusa, proveniente de esgoto doméstico, fazendas (não orgânicas) e vias pavimentadas.
• 30.000 diferentes compostos químicos são colocados em todo tipo de produto, de bateria de carro a biscoito de chocolate. Desses, apenas 4% são analisados rotineiramente e cerca de 400 são persistentes (não se desintegram no meio ambiente). 75% nunca tiveram seus efeitos colaterais estudados. Em contato umas com as outras, essas substâncias podem potencializar mutuamente seus efeitos ou formar outras descontroladamente.
• Na costa oeste dos Estados Unidos já são encontrados peixes com bactérias resistentes a antibióticos. Ou seja, tiveram contato com remédios que chegaram até lá pelo esgoto. Além disso, em alguns locais 90% dos peixes têm câncer de fígado.

Recado final do cientista: “Não podemos esperar para ter certeza de que esses contaminantes são prejudiciais. É preciso começar a agir já”.

A turma do deixa-disso ambiental costuma se defender dizendo que os resíduos químicos da água aparecem em quantidades muito pequenas. No entanto, ninguém comenta que esses contaminantes estão por toda parte além da água: no ar, na comida, nos produtos de limpeza, nos cosméticos, nos tecidos, em todos os plásticos e por aí vai. Não se faz as contas incluindo tudo que um ser humano entra em contato e nem a interação entre as substâncias.

Por trás desse cenário de abundância de produtos e escassez de conhecimento temos o fato da ciência também se constituir como um mercado de trabalho, sendo que as empresas (e não os institutos públicos ou independentes) oferecem os melhores salários. Assim, de um lado corporações se empenham em criar novas substâncias e patenteá-las para aumentar seus lucros. Do outro, centros de pesquisa lutam contra a eterna falta de verbas. Está explicado por que 30.000 substâncias pouco conhecidas povoam as gôndolas enquanto raríssimas pesquisas procuram entender se nossa saúde corre risco?

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110. Os saquinhos de supermercado e a Rio+20

Se quase ninguém está disposto a sair da zona de conforto, como faremos as mudanças de estilo de vida necessárias para criar uma sociedade sustentável?

Imagine que você está num bote com alguns amigos passeando no mar. De repente, começa a entrar água. Dentro do bote, um par de remos, um balde bem grande e vários copinhos. Dois dos tripulantes são fortes e sarados. Os demais têm físico frágil. Os fracotes se reúnem para reclamar que os fortões deveriam remar e tirar a água do barco, mas não querem ajudar. E os fortões se recusam a fazer o trabalho sozinhos. Todos naufragam.

Essa historinha absurda me vem à cabeça toda vez que ouço pessoas bradarem contra a resolução que eliminou as sacolinhas plásticas gratuitas dos supermercados e comemorarem sua volta.

Claro que existem problemas ambientais muito mais graves do que os saquinhos plásticos. Também têm certa razão os que acusam os supermercados de aproveitar a onda das sacolas retornáveis para obter vantagens financeiras. Já falei sobre isso nesse blog e recebi uma chuva de reclamações, que provavelmente virão novamente depois do capenga enredo de naufrágio que inventei. Só menciono as particularidades saquinho-plásticas porque o assunto aqui é sair da zona de conforto.

A insustentabilidade do sistema em que vivemos não é novidade. Infelizmente, o bom andamento da política e da economia por enquanto são aferidos pelo consumo crescente que não poderá se manter por muito mais tempo, pois só temos à disposição esse planeta finito e já superexplorado. Então as circunstâncias nos convidam a iniciar mudanças de hábitos. Quanto antes começarmos, menos traumáticas serão. Levar a sacola para o supermercado é apenas um ínfimo exemplo de como reduzir impactos ambientais. Comer menos carne, usar menos carro, comprar menos, reutilizar mais, abandonar a agricultura à base de agrotóxicos, economizar água e energia das mais diversas formas são outros desafios que estão batendo à porta.

Vem aí a Rio+20 e a torcida do contra já está organizada. Muitos a consideram inútil, já que países e empresas e não se mostram dispostos a rever seus modos de agir na intensidade necessária para frear as mudanças climáticas, a desertificação, o desmatamento, a extinção de espécies e a contaminação do meio ambiente. Embora com mínimas expectativas de ver surgir uma revolução sustentável no evento, discordo. Acho que o evento vale a pena sobretudo por causa do encontro paralelo e extraoficial, a Cúpula dos Povos.

Estive na Rio 92 como jornalista e a experiência foi maravilhosa (veja aqui: http://conectarcomunicacao.com.br/blog/106-eu-fui-na-rio-92/). Ao longo dos anos fiquei sabendo de dúzias de livros, projetos e movimentos que nasceram no Fórum Global (assim se chamou o encontro alternativo daquela vez) e ajudam cada vez mais gente a viver bem preservando o meio ambiente e reduzindo a desigualdade social. São essas iniciativas que me enchem de esperança. E não é preciso ir à Cidade Maravilhosa para entrar na onda.

Para terminar, um conto de fadas do nosso tempo:

“Era uma vez uma floresta em chamas. Os animais se reuniram numa clareira para reclamar e apenas o beija-flor não compareceu ao triste encontro. Em vez disso, voava freneticamente para lá e para cá. Sem entender o que estava acontecendo, o elefante perguntou:

– O que faz você aí, pequeno beija-flor?

– Estou tentando apagar o fogo. Vou até o rio, encho meu bico de água, despejo nas labaredas e volto ao rio para pegar mais água.

Todos os animais riram muito. E o rei leão disse:

– Você não se enxerga, beija-flor? Com esse bico minúsculo não vai conseguir apagar coisa nenhuma.

Mas o beija-flor já estava longe, apressado, pois tinha muito trabalho a fazer.”

PS – O indiano Jadav Payeng faz parte da turma dos beija-flores. Durante 30 anos ele plantou sozinho e com as próprias mãos uma floresta que hoje tem 550 hectares e abriga até grandes mamíferos em risco de extinção como tigres e rinocerontes. Olha só que beleza: http://planetativo.com/2010/2012/04/o-homem-que-plantou-uma-floresta-sozinho/

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Dá para ser muito feliz consumindo menos.

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